Emerson Fittipaldi

O Brasil tem três pilotos campeões mundiais de Fórmula 1. Eu já falei aqui sobre dois deles. Hoje é dia de falar sobre o terceiro. Ou melhor, sobre o primeiro, já que ele foi campeão antes de Piquet e de Senna. Hoje é dia de Emerson Fittipaldi no átomo.

Emerson Fittipaldi nasceu em 12 de dezembro de 1946, em São Paulo, filho do jornalista esportivo Wilson Fittipaldi, descendente de imigrantes italianos, e da dona de casa Jozefa Wojciechowska, uma imigrante russa filha de poloneses. Após optar pela simplicidade e chamar seu primeiro filho de Wilson Fittipaldi Júnior, o casal decidiria homenagear o escritor norte-americano Ralph Waldo Emerson, transformando seu sobrenome no nome de seu filho caçula.

O pai de Emerson (Fittipaldi, não Ralph Waldo) era um apaixonado por corridas, tendo pilotado em provas amadoras antes da Segunda Guerra Mundial e sendo o responsável, em parceria com Eloy Gagliano, pela criação das Mil Milhas Brasileiras, prova disputada anualmente em São Paulo desde 1956 e hoje uma das de maior prestígio do calendário nacional, a qual criou inspirado na Mille Miglia, prova disputada na Itália entre 1927 e 1957. Dessa forma, era natural que ambos os seus filhos se interessassem por automobilismo desde cedo, com Wilsinho começando a correr nos karts em 1960 e Emerson quatro anos depois, em 1964, mesmo ano no qual seu irmão seguiria para as provas de turismo.

Emerson conseguiria uma vitória já em seu primeiro ano competindo no Campeonato Paulista de Kart, em Santo André, e se sagraria campeão paulista de kart já no ano seguinte, em 1965. Considerado um prodígio, ele seria convidado para disputar o Campeonato Carioca de Turismo já naquele mesmo ano, mas, em sua primeira corrida, pilotando um Renault 1093 na Ilha do Fundão, sofreria um acidente, e desistiria de disputar o restante do campeonato.

Em 1966, Wilsinho seria convidado para correr na Fórmula 3, e faria sua estreia na categoria correndo na Argentina; ele viajaria para a Europa para acertar um contrato para disputar o campeonato europeu da categoria, mas a negociação acabaria se mostrando infrutífera. Ao retornar para o Brasil, Wilsinho decidiria não mais continuar pilotando, e sim se tornar um construtor, montando uma equipe para disputar o Campeonato Brasileiro de Fórmula-V, cujo carro seria disputado por Emerson. Emerson não disputaria a temporada completa de 1966, mas, em 1967, ganharia cinco das sete provas e se sagraria campeão. Paralelamente ao campeonato de Fórmula-V, ele disputaria o Campeonato Brasileiro de Kart, no qual também seria campeão. Em 1968, ele venceria as tradicionais Cem Milhas de Kart de Piracicaba e as 12 Horas de Porto Alegre, mas, como o automobilismo brasileiro passaria aquele ano em crise, ele decidiria, ao final do mesmo, viajar para a Europa e tentar vaga em alguma categoria europeia.

Emerson conseguiria uma vaga para correr na Fórmula Ford europeia, obtendo sua primeira vitória já em 1969, na Holanda. Ele se destacaria tanto na categoria que, após apenas três meses, seria contratado por Jim Russell para disputar a Fórmula 3 inglesa, na época o campeonato mais cobiçado pelos jovens pilotos. Mesmo estreando com o campeonato já começado, Emerson venceria nada menos que nove corridas, se sagrando campeão de 1969 na categoria. Esse desempenho excepcional chamaria a atenção de Colin Chapman, dono da equipe Lotus de Fórmula 1, que construía os carros usados pela equipe de Russell na Fórmula 3.

Na época, a Lotus era uma das principais equipes da Fórmula 1, com Graham Hill tendo sido campeão pela equipe em 1968 (além dos dois títulos de Jim Clark em 1963 e 1965), e mantinha uma política de ter três carros no grid, com o terceiro sempre sendo destinado a jovens pilotos de destaque, como uma espécie de "treinamento" para que eles assumissem uma das duas vagas "principais" caso tivessem bom desempenho. Para a temporada de 1970, a equipe já havia definido seus três pilotos, com o austríaco Jochen Rindt, contratado em 1969, ano no qual terminou o Mundial de Pilotos na quarta colocação, sendo o primeiro; o inglês John Miles, terceiro piloto em 1969, sendo promovido a segundo; e o jovem espanhol Alex Soler-Roig, que obteve grande destaque em 1968 e 1969 em corridas de longa duração, como as 24 Horas de Le Mans e as 24 Horas de Daytona, sendo contratado como terceiro. Para não deixar a oportunidade passar, entretanto, Chapman contrataria Emerson, mas o colocaria para disputar o campeonato de Fórmula 2 pela Equipe Bardahl, da qual também era o dono.

Na Fórmula 2, Emerson conseguiria dois segundos lugares e dois terceiros, e terminaria o campeonato em terceiro lugar, com o suíço Clay Regazzoni sendo o campeão e o inglês Derek Bell terminando em segundo. Como Soler-Roig não estava correspondendo na Fórmula 1, Chapman decidiria pagar pra ver e o substituiria por Emerson no GP da Inglaterra, exatamente na metade da temporada. Em sua estreia na Fórmula 1, Emerson terminaria em oitavo, e na corrida seguinte, na Alemanha, ele terminaria em quarto. Emerson ainda faria mais uma corrida como terceiro piloto da Lotus, o GP da Áustria, mas, após ter problemas com o carro, terminaria em 15o, cinco voltas atrás do líder e último dentre os que terminaram a corrida.

Na corrida seguinte, o GP da Itália, aconteceria uma tragédia que mudaria o destino de Emerson na Fórmula 1: durante os treinos, Rindt bateria forte em uma das curvas, e morreria a caminho do hospital. Em respeito, nenhum dos carros da Lotus correria naquele fim de semana. Miles, profundamente abalado, decidiria deixar a equipe e não correr mais até o fim da temporada. Sem dois de seus três pilotos, a Lotus não participaria também do GP do Canadá, corrida imediatamente seguinte.

Em uma decisão arriscada, Chapman decidiria promover Emerson a primeiro piloto da equipe, contratando o jovem sueco Reine Wisell como segundo. Logo em sua primeira prova como titular da equipe, o GP dos Estados Unidos, em Watkins Glen, Emerson conseguiria sua primeira vitória na Fórmula 1, a qual dedicaria a Rindt e à Lotus; nessa mesma prova, Wisell conseguiria o melhor resultado de sua carreira, terminando em terceiro. Esse desempenho da nova dupla principal de pilotos da Lotus seria fundamental para a equipe não somente no aspecto psicológico, mas também para o campeonato, já que, graças a esses resultados, não somente a Lotus garantiria o Mundial de Construtores como também o principal oponente de Rindt na luta pelo título, o belga Jacky Ickx, da Ferrari, que terminou o GP dos EUA em quarto lugar, não conseguiria mais alcançá-lo, mesmo após vencer a última corrida do ano, o GP do México, o que faria com que Rindt se tornasse o primeiro (e até hoje, e esperamos que para sempre, único) campeão póstumo da Fórmula 1. No GP do México, com um problema de motor, Emerson abandonaria, mas os 12 pontos que obteve nas quatro corridas que completou no ano seriam suficientes para que ele terminasse o campeonato em décimo lugar.

Emerson e Wisell seriam mantidos como dupla titular da Lotus, com o sul-africano Dave Charlton como terceiro, em 1971, ano em que o brasileiro começaria como um dos favoritos, mas não conseguiria corresponder, abandonando as duas primeiras corridas, na África do Sul e Espanha, conseguindo seu primeiro pódio e seus primeiros pontos apenas na quinta corrida do ano, na França, onde terminou em terceiro lugar, e subindo ao pódio apenas outras duas vezes, um terceiro lugar na Inglaterra e um segundo na Áustria; no total, ele somaria 16 pontos e terminaria o campeonato em sexto lugar - o campeão seria Jackie Stewart, da Tyrrell, com 62.

1972 seria o ano da consagração para Emerson, que teria como colegas de equipe Wisell e o australiano David Walker. Após abandonar a primeira prova do ano, na Argentina, ele conseguiria uma sequência de seis pódios: segundo na África do Sul, vitória na Espanha, terceiro em Mônaco, vitória na Bélgica, segundo na França e vitória na Inglaterra; após novo abandono na Alemanha, mais duas vitórias, na Áustria e na Itália. O final da temporada seria ruim, com um 11o lugar no Canadá e um abandono nos Estados Unidos, mas, mesmo assim, as cinco vitórias e os 61 pontos garantiriam que Emerson se tornasse não apenas o primeiro brasileiro campeão mundial de Fórmula 1, mas também, aos 25 anos e 273 dias, o campeão mais jovem da história da categoria, recorde que manteria até 2005, quando Fernando Alonso fosse campeão aos 24 anos e 58 dias - o atual mais jovem campeão é Sebastian Vettel, com 23 anos e 133 dias em 2010, e o segundo é Lewis Hamilton, 23 anos e 301 dias em 2008, com Emerson ainda sendo o quarto.

Tudo indicava que Emerson conseguiria seu segundo título já em 1973, ano no qual seu colega de equipe seria o sueco Ronnie Peterson. O carro da Lotus ainda era o mais forte, e ele começaria o ano com duas vitórias, na Argentina e no Brasil, em Interlagos, e um terceiro lugar na África do Sul. Após a terceira prova do campeonato, entretanto, a Lotus estrearia um novo carro, o 72E, que substituiria o 72D que Emerson usava desde a terceira prova do campeonato de 1971. Apesar de um começo promissor, com vitória na Espanha, terceiro lugar na Bélgica e segundo em Mônaco, o 72E logo se mostraria menos confiável que seu antecessor, e, após um 12o lugar na Suécia, Emerson abandonaria três provas seguidas. Ele ainda conseguiria o segundo lugar na Itália e no Canadá, mas, com mais um abandono, e apenas o sexto lugar nas outras duas provas do ano, ele somaria 55 pontos, e terminaria o campeonato em segundo lugar, atrás de Stewart, que somaria 61 - curiosamente, o exato inverso do ano anterior, quando Emerson foi campeão com 61 e Stewart foi vice com 55. Apesar de Emerson não conseguir o título de pilotos, a Lotus ainda seria a campeã de construtores de 1973.

Insatisfeito com o desempenho do 72E, Emerson decidiria aceitar um convite da McLaren, que, na época, era uma equipe considerada intermediária, mas que, para 1974, contaria com o mesmo motor Ford V8 da Lotus, e havia conseguido um patrocínio milionário da marca de cigarros Marlboro. A transferência para a McLaren foi vista como arriscada, mas deu certo: após três vitórias (no Brasil, Bélgica e Canadá), dois segundos lugares (na Inglaterra e na Itália) e dois terceiros (na Espanha e Holanda), além de ter marcado pontos em Mônaco e na Suécia, Emerson chegaria à última corrida do ano, nos Estados Unidos, empatado com Regazzoni, da Ferrari, ambos com 52 pontos. O suíço acabaria tendo problemas no carro e terminando em 11o lugar; com isso, bastou a Emerson um quarto lugar para que ele somasse 55 pontos e obtivesse seu segundo título mundial, o primeiro da história da McLaren. O colega de equipe de Emerson em 1973 seria o neozelandês Danny Hulme, campeão pela Brabham em 1967, na McLaren desde 1968.

Emerson seguiria na McLaren em 1975, tendo como colega de equipe o alemão Jochen Mass. Ele até faria uma boa temporada, com vitórias na Argentina e Inglaterra e chegando em segundo no Brasil, Mônaco, Itália e Estados Unidos, mas o piloto dominante foi Niki Lauda, que, com desempenho arrebatador na Ferrari, conquistou seu primeiro título com 64,5 pontos, com Emerson conquistando o vice-campeonato com 45. Ao final da temporada de 1975, Emerson chocaria o mundo com uma decisão inesperada: aos 28 anos, no auge da carreira, trocaria a McLaren pela Fittipaldi, equipe fundada por seu irmão Wilsinho, que havia acabado de estrear no campeonato, e cujo principal patrocinador era a indústria de álcool e açúcar paulista Copersucar - nome pelo qual a equipe ficaria conhecida no Brasil.

Emerson correria pela Fittipaldi durante cinco temporadas, de 1976 a 1980. Infelizmente, por maior que fosse o esforço e o talento dos irmãos, ainda era uma equipe pequena, incapaz de lutar por vitórias ou pelo campeonato. Em 1976, Emerson teria como colega de equipe o também brasileiro Ingo Hoffmann, abandonaria sete corridas e teria como melhores resultados três sextos lugares, no GP dos Estados Unidos Oeste, em Mônaco e na Inglaterra, terminando o campeonato na 11a posição. Em 1977, mais uma vez ao lado de Hoffmann, ele teria desempenho melhor, pontuando em quatro corridas (quarto lugar na Argentina, Brasil e Holanda, quinto no GP dos Estados Unidos Oeste), abandonando outras quatro, e terminando o campeonato na nona posição. Em 1978, Emerson seria o único piloto da Fittipaldi, e, além de conseguir um heroico segundo lugar no Brasil, pontuaria em outras cinco corridas, mas abandonaria seis provas, terminando o campeonato na sétima posição. Em 1979, com o também brasileiro Alex Ribeiro como colega de equipe, Emerson faria sua pior temporada, abandonando seis provas e pontuando apenas com o sexto lugar na primeira do ano, na Argentina, terminando o campeonato na 12a posição. E, em 1980, tendo como colega de equipe o finlandês Keke Rosberg, que viria a ser campeão do mundo em 1982 pela Williams, Emerson abandonaria mais seis corridas e faria um sexto lugar em Mônaco, mas, graças a um terceiro lugar no GP dos Estados Unidos Oeste, terminaria o campeonato mais uma vez na nona posição.

A partir de 1980, a Fittipaldi não teria mais o patrocínio da Copersucar, sendo patrocinada pela cervejaria Skol. Emerson, achando que sua dedicação à equipe o estava fazendo negligenciar seu casamento e sua vida pessoal, decidiria se aposentar como piloto ao final daquela temporada, passando a trabalhar na parte administrativa da equipe ao lado de seu irmão. A equipe Fittipaldi ainda disputaria o campeonato até o final da temporada de 1982, quando, por problemas financeiros, encerraria suas atividades. Emerson decidiria não voltar a correr, se aposentando da Fórmula 1 aos 36 anos.

Mas Emerson não conseguiria ficar muito tempo longe das pistas, e, no final de 1983, começaria a negociar sua estreia na Fórmula Indy. Originalmente o campeonato nacional de automobilismo dos Estados Unidos, a Fórmula Indy havia se tornado uma categoria própria e internacional (com o nome original, nos Estados Unidos, de CART IndyCar World Series) após sua organização passar do Automóvel Clube dos Estados Unidos (USAC) para a CART (Championship Auto Racing Teams, uma organização fundada pelos donos das equipes) em 1979, ou seja, a categoria ainda estava em seu começo, prestes a iniciar seu quinto campeonato. Emerson estrearia justamente nesse quinto campeonato, em 1984, em Long Beach, correndo pela equipe WIT-GTS Racing, pela qual faria as três primeiras provas, incluindo as 500 Milhas de Indianápolis, que teve de abandonar após 37 das 200 voltas devido a um problema com a pressão do óleo. Emerson ficaria de fora das duas provas seguintes do campeonato e retornaria correndo pela H&R Racing, pela qual disputaria mais duas provas, ficando de fora das três seguintes. A primeira dessas três provas seria a de Michigan, na qual o norte-americano Chip Ganassi, segundo piloto da equipe Patrick, uma das mais fortes, se acidentaria, ficando impossibilitado de concluir o campeonato. A Patrick negociaria com Emerson, que substituiria Ganassi a partir da prova de Mid-Ohio, 11a de 16, na qual terminaria na quarta posição, a melhor colocação de seu ano de estreia. Emerson terminaria o campeonato correndo pela Patrick, e assinaria com a equipe para ser seu primeiro piloto na temporada seguinte. No total, em 1984 ele somaria 30 pontos, terminando o campeonato na 15a posição.

Emerson faria um excelente campeonato em 1985, obtendo sua primeira vitória na sétima prova da temporada, em Michigan; ele ainda conseguiria dois segundos lugares (em Long Beach e Meadowlands) e um terceiro (em Portland), terminando o campeonato em sexto lugar com 104 pontos. Em 1986, ainda correndo pela Patrick, ele obteria mais uma vitória, em Road America, repetiria seu segundo lugar em Meadowlands, conseguiria três terceiros (Long Beach, Michigan e Montreal) e terminaria pela primeira vez as 500 Milhas de Indianápolis, cruzando a linha de chegada em sétimo lugar (em 1985, teve de abandonar quando faltavam 22 voltas, com problemas de motor); ele terminaria o campeonato com 103 pontos, em sétimo lugar.

No ano seguinte, 1987, a Patrick trocaria o motor Cosworth, com o qual Emerson correu desde sua estreia na Indy, por um motor Chevrolet, com o qual o brasileiro obteria duas vitórias, em Clevaland e Toronto, mas teria como seu único outro "pódio" (na Fórmula Indy não tem pódio, apenas o vencedor é laureado ao final da corrida, mas, mesmo assim, as três primeiras posições são conhecidas como pódio) um terceiro lugar em Meadowlands, e abandonaria mais uma vez as 500 Milhas com problemas de motor, o que faria com que ele terminasse o campeonato na décima posição com 78 pontos. Em 1988, a Patrick manteria o motor Chevrolet, mas trocaria seu chassis, deixando de usar o March para passar a usar o Lola. Emerson conseguiria duas vitórias, em Mid-Ohio e Road America, e seria terceiro em Milwaukee e Portland; nas 500 Milhas, ele seria o segundo, mas não na pista: faltando 20 voltas para o final, Emerson era o segundo, atrás do norte-americano Rick Mears, da equipe Penske, que acabaria vencendo a prova, quando os comissários de pista decidiriam puni-lo por supostamente ter ultrapassado durante uma bandeira amarela, o que fez com que ele caísse para quinto, posição na qual cruzaria a linha de chegada. Após o final da corrida, entretanto, a Patrick entrou com uma representação, e, ao rever a corrida, os comissários constataram que Emerson, de fato, não havia ultrapassado ilegalmente, decidindo corrigir seu tempo subtraindo o perdido pela punição, o que fez com que, oficialmente, ele terminasse em segundo lugar. Emerson terminaria o campeonato novamente em sétimo lugar, com 105 pontos.

O ano da consagração para Emerson na Indy seria 1989. Com problemas financeiros, que já a haviam levado a ter Emerson como único piloto em 1988, a Patrick faria um acordo com a Penske, até então campeã de seis dos dez títulos disputados da Indy, e passaria a ser uma espécie de terceiro carro da equipe, usando o mesmo chassis Penske e o mesmo motor Chevrolet. Com essa combinação, Emerson conseguiria o terceiro lugar em Long Beach, o segundo em Meadowlands e Toronto, e nada menos que cinco vitórias, em Detroit, Portland, Cleveland, Nazareth e nas 500 Milhas de Indianápolis, a primeira de um piloto brasileiro nessa prova, obtida de forma emocionante após um toque na última volta no carro de Al Unser Jr., da equipe Galles, que disputava a vitória roda a roda com Emerson, e que fez com que o norte-americano rodasse e batesse no muro, enquanto o brasileiro, controlando o carro com maestria, cruzava a linha de chegada. Com 196 pontos, Emerson se tornaria o primeiro brasileiro campeão da Fórmula Indy - aliás, o primeiro estrangeiro campeão da categoria, já que, de 1979 a 1988, todos os campeões foram norte-americanos.

O título de Emerson chamaria a atenção da Penske, que o contrataria para ser seu primeiro piloto para a temporada de 1990; a Patrick protestaria, receberia uma compensação financeira da Penske, mas decidiria não manter o acordo, correndo em 1990 com chassis Lola e motores Alfa Romeo. Em sua primeira temporada pela Penske, Emerson conseguiria apenas uma vitória, em Nazareth, mas seria segundo em Road America e Long Beach, e terceiro em Milwaukee, Cleveland e nas 500 Milhas, terminando o campeonato com 144 pontos, na quinta colocação. Ele também seria o quinto colocado em 1991, com 140 pontos, ano no qual teve novamente apenas uma vitória, em Detroit, chegando em segundo em Portland, Cleveland, Denver e Mid-Ohio, terceiro em Phoenix, e abandonando as 500 Milhas após 171 voltas com problemas de câmbio.

Tudo indicava que Emerson lutaria pelo título mais uma vez em 1992, após um excelente começo com vitória na prova de Surfer's Paradise, na Austrália, e dois terceiros lugares seguidos, em Phoenix e Long Beach; nas 500 Milhas, entretanto, ele pela primeira vez abandonaria após um acidente, na volta 75. Não se sabe se devido ao acidente, mas, nas seis provas seguintes, seu melhor resultado seria um segundo lugar em Portland. No final do campeonato, Emerson ainda conseguiria se superar e obter três vitórias, em Cleveland, Road America e Mid-Ohio, mas, sem resultados expressivos nas demais provas, terminaria o campeonato em quarto lugar, com 151 pontos.

Após essa temporada de certa forma decepcionante, Emerson de fato lutaria pelo título em 1993 - e contra ninguém menos que Nigel Mansell, um dos principais rivais de Senna na Fórmula 1, que havia acabado de ser campeão lá e se transferido para a Newman/Haas, uma das mais fortes equipes da Indy. Emerson conseguiria o terceiro lugar em Milwaukee e New Hampshire, o segundo em Surfer's Paradise, Cleveland, Toronto e Laguna Seca, e três vitórias, em Mid-Ohio, Portland e nas 500 Milhas, prova na qual disputou roda a roda a vitória com Mansell e com o holandês Arie Luyendyk, da equipe Ganassi, até faltarem cinco voltas para o final, quando, após uma relargada depois de uma bandeira amarela, Emerson pulou na frente e abriu boa vantagem para se tornar, aos 47 anos, o mais velho vencedor da história da prova. No final, Emerson terminaria o campeonato com 183 pontos, mas Mansell, com cinco vitórias, dois segundos lugares e três terceiros, somaria 191 e se tornaria o segundo estrangeiro campeão da Indy, deixando Emerson com o vice-campeonato.

A temporada de 1994 começaria com uma reviravolta, após a Chevrolet anunciar que não forneceria mais motores para a Fórmula Indy. Com isso, a Penske teve de usar um motor Ilmor em 15 das 16 provas - sendo a exceção as 500 Milhas, na qual usaram um motor Mercedes desenvolvido especialmente para a prova. Como as outras equipes que usavam Chevrolet também tiveram de trocar seus motores, a Penske, com uma melhor estratégia, se tornou a equipe dominante, vencendo 12 das 16 provas; infelizmente, apenas uma dessas vitórias seria de Emerson, em Phoenix. O brasileiro também conseguiria o segundo lugar em Surfer's Paradise, Milwaukee, Detroit e Portland, e o terceiro em Toronto, Mid-Ohio, New Hampshire, Nazareth e Road America, e abandonaria as 500 Milhas após um acidente quando faltavam 26 voltas para o final. Emerson somaria 178 pontos e seria novamente vice-campeão, atrás de seu colega de equipe Al Unser Jr., que, com oito vitórias e três segundos lugares, somaria 225. Em 1995, a Penske decidiria correr com motores Mercedes, e Emerson não faria uma boa temporada, conseguindo apenas uma vitória em Nazareth e um terceiro lugar em Phoenix, e sem sequer se classificar para as 500 Milhas, terminando o campeonato com 67 pontos, na 11a colocação.

Em 1996, ocorreria um "racha", que dividiria a Fórmula Indy em duas categorias; aquela na qual Emerson corria passaria a ser conhecida, no Brasil, como Fórmula Mundial (mas teria como nome verdadeiro CART Champ Car World Series), e a outra, fundada por Tony George, então dono do circuito de Indianápolis, continuaria conhecida no Brasil como Fórmula Indy (mas teria como nome oficial Indy Racing League, ou IRL). Um dos motivos do racha foi que George achou que a Fórmula Indy estava "internacional demais", e queria que ela fosse uma categoria apenas com pilotos e equipes norte-americanas disputando provas em ovais dos Estados Unidos, como era o campeonato da USAC até 1978. Com muitas das principais provas passando a fazer parte do calendário da IRL, inclusive as 500 Milhas de Indianápoilis, e muitos dos pilotos norte-americanos optando por disputar a IRL, foi preciso fazer uma reformulação, ao fim da qual a Ganassi se mostraria a equipe dominante, ganhando quatro títulos seguidos de 1996 a 1999. Nessa reformulação, a Penske optaria por não manter Emerson em seu time principal, remanejando-o para a equipe Hogan, que corria com os mesmos chassis Penske e motores Mercedes, graças a um acordo semelhante ao firmado entre Penske e Patrick em 1989.

Pela Hogan, Emerson não conseguiria nenhum pódio, tendo como melhores resultados dois quartos lugares, em Nazareth e Milwaukee. Em 1996, ele correria pela primeira e única vez no Rio de Janeiro, terminando em 11o lugar a prova que marcaria a estreia do circuito de Jacarepaguá na Fórmula Mundial. Sem as 500 Milhas de Indianapolis, o principal evento da categoria seria a US500, uma corrida de 500 milhas disputada no oval de Michigan, na qual Emerson terminaria em décimo lugar. Na 12a de 16 provas, também disputada em Michigan, Emerson sofreria um acidente que faria com que ele não pudesse disputar as quatro provas restantes. Perto de completar 50 anos, ele decidiria não renovar contrato para a temporada seguinte, se aposentando também da Indy.

Após sua aposentadoria, Emerson passaria a trabalhar como empresário, mas sempre com ações ligadas ao automobilismo - ele seria, por exemplo, o principal responsável pela equipe brasileira da categoria A1 GP, na qual cada equipe representava um país. Ocasionalmente, ele ainda voltaria a pilotar, como em 2008, quando ele e Wilsinho disputariam o Campeonato Brasileiro de GT3 dirigindo um Porsche 997 para a equipe WB Motorsports, e em 2014, quando disputou as 6 Horas de São Paulo, etapa válida para o Campeonato Mundial de Endurance da FIA, pilotando uma Ferrari 458 Italia GT2 da equipe AF Corse, ao lado do italiano Alessandro Pier Guidi e do norte-americano Jeff Segal, concluindo a prova na 21a posição, última dentre os que a completaram.
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DC vs. Marvel / Amalgam Comics (II)

Hoje veremos a continuação do post da semana anterior, com mais encontros entre os personagens Marvel e DC, e a segunda leva da Amalgam Comics!


Antes do final de 1996, Marvel e DC voltariam a colaborar em duas outras edições especiais. A primeira delas seria Silver Surfer/Superman, lançada em novembro pela Marvel, com roteiro de George Pérez e arte de Ron Lim, na qual o Homem Impossível e o Sr. Mxyzptlk decidem participar de um jogo para ver qual dos dois heróis é mais esperto, com o Homem Impossível enganando o Super-Homem e o Sr. Mxyzptlk enganando o Surfista Prateado. A segunda seria Batman/Captain America, lançada em dezembro pela DC, com roteiro e arte de John Byrne. Ambientada na época da Segunda Guerra Mundial, essa história leva o Capitão América até Gotham, para investigar informações recebidas pelo governo norte-americano de que os nazistas estariam planejando um ataque a Washington a partir de lá - e o principal colaborador dos vilões na cidade seria o milionário Bruce Wayne. Para limpar o nome de seu alter ego, Batman se une ao Sentinela da Liberdade para encontrar os verdadeiros vilões - evidentemente, o Caveira Vermelha e o Coringa, trabalhando juntos.

É interessante notar que, ao estilo dos encontros entre heróis Marvel e DC anteriores a DC vs. Marvel, ambas essas histórias consideram que os personagens Marvel e DC sempre viveram no mesmo universo. Em 1986, para tentar explicar esse fenômeno, a DC passaria a considerar que esses encontros, na verdade, não teriam ocorrido nem no Universo DC, nem no Universo Marvel, e sim em um terceiro universo, no qual os personagens de ambas as editoras coexistem, chamado por ela de crossover earth. Quase dez anos depois, em 1995, a Marvel decidiria adotar a mesma explicação, usando, para o terceiro universo, o nome de Terra-7642. Evidentemente, como em DC vs. Marvel os universos são separados, a minissérie não é ambientada nesse terceiro universo, o que explica o fato de os personagens Marvel e DC não se conhecerem. Também vale citar que Batman/Captain America não é ambientada na crossover earth, já que, como é ambientada na época da Segunda Guerra Mundial, o Batman que atua junto ao Capitão América é o Batman da Terra-2; para a DC, essa história pertence à série Elseworlds (Túnel do Tempo no Brasil), enquanto para a Marvel ela é ambientada na Terra-3839.

Aproveitando o sucesso da minissérie DC vs. Marvel e das revistas da Amalgam, Marvel e DC firmariam, ainda em 1996, um novo acordo, que previa a produção de duas novas minisséries, bem como de 12 novas revistas da Amalgam Comics. A primeira desses minisséries seria DC/Marvel: All Access (lançada no Brasil como DC vs. Marvel Série Dois), com quatro edições quinzenais lançadas entre dezembro de 1996 e fevereiro de 1997; diferentemente do que ocorreu com DC vs. Marvel, todas as quatro edições seriam produzidas e lançadas pela DC.

Com roteiro de Ron Marz e arte de Jackson Guice, a história começa quando Venom aparece em Metrópolis, sendo enfrentado pelo Super-Homem. Em seguida, é o Escorpião quem aparece em Gotham, sendo derrotado pelo Batman. Para tentar descobrir por que vilões da Marvel estariam sendo transportados para o Universo DC, Acesso pede a ajuda de Batman, e o traz até o Universo Marvel. Na verdade, tudo é parte de um plano de Dr. Strangefate, que conseguiu manter parte de sua consciência viva dentro da mente do Dr. Estranho, e agora pretende amalgamar os dois universos novamente, trazendo o Universo Amalgam de volta à vida.

O plano de Dr. Strangefate seria o mote para o lançamento da segunda leva da Amalgam, que teve mais 12 edições, todas lançadas em junho de 1997. Dessa vez, das seis edições de cada editora, três são estreladas por personagens novos, enquanto as outras três são novos títulos de personagens da primeira leva. Assim como no post anterior, as seis primeiras da lista abaixo foram produzidas e lançadas pela DC, enquanto as seis últimas foram produzidas e lançadas pela Marvel; mais uma vez, os personagens que compõem cada amálgama vêm entre parênteses, com o da Marvel primeiro - exceto no caso dos personagens que já apareceram na primeira leva, dos quais eu não cito os nomes dos personagens originais para poupar espaço. Assim como na primeira leva, todas as edições são número 1, mas as histórias citam eventos passados da editora como se ela existisse desde a década de 1930.

Super Soldier: Man of War - No ano de 1942, após uma reunião na sede do All-Star Winners Squadron (All-Star Winners + All-Star Squadron), grupo de heróis composto por Mariner, Brooklyn Barnes, American Belle (Miss America + Liberty Belle), Whiz (Ciclone + Joel Ciclone) e Human Lantern (Jim Hammond + Alan Scott), Super Soldier e Jimmy Olsen embarcam para a Europa para escoltar uma carga secreta, que não pode cair nas mãos de Green Skull. Enquanto isso, o Sargento Rock e seu Comando Selvagem (na Marvel, o Comando Selvagem é liderado por Nick Fury, e, na DC, o Sargento Rock lidera a Companhia Moleza; todos os membros do Comando Selvagem nessa história são versões alternativas dos personagens da Marvel) são capturados pelo Major Zemo (Barão Zemo + Major de Ferro), e precisarão da ajuda de Mademoiselle Peggy (Peggy Carter + Mademoiselle Marie) para escapar. Participação especial de Lois Lane (em versão alternativa, sem ser amálgama de ninguém). Roteiro de Mark Waid e Dave Gibbons, arte de Dave Gibbons.

Dark Claw Adventures - Dark Claw e Sparrow enfrentam Lady Talia (Lady Letal + Talia), que quer vingança por Dark Claw ter matado seu pai, Ra's A-pocalypse (Apocalipse + Ra's al-Ghul). Participações especiais de Ubuwong (Wong + Ubu), Two-Faced Green Goblin, Cybercroc (Cyber + Crocodilo), Bloodcrow (Sanguinário + Espantalho), Omega Beast (Ômega Vermelho + KGBesta) e Spiral Harley (Espiral + Arlequina). Essa revista é a versão Amalgam da The Batman Adventures, da DC, que foi lançada devido ao sucesso do desenho animado de Batman criado por Paul Dini e Bruce Timm, e era ambientada no mesmo universo do desenho e com arte de Timm; a arte de Dark Claw Adventures, de Ty Templeton (também responsável pelo roteiro), imita a de Timm, com a capa, inclusive, fazendo referência à abertura do desenho do Batman.

JLX Unleashed! - A Hellfire League of Injustice (Clube do Inferno + Legião do Mal), grupo de vilões composto por Savage Shaw (Sebastian Shaw + Vandal Savage), Lord Maxwell Hodge (Cameron Hodge + Maxwell Lord), Mistress Maxima (Selene + Maxima) e Dark Firebird (Fênix Negra + Fogo), realiza um ritual e traz ao mundo Fin Fang Flame (Fin Fang Foom + Brimstone), ordenando que a criatura destrua todos os mutantes do planeta; o monstro, porém, se rebela, e decide destruir toda a humanidade. Super Soldier, Captain Marvel, Amazon e Bruce Wayne tentam detê-lo sem sucesso; como uma última cartada, Amazon liberta Mr. X, que estava sob a custódia do governo desde o fim do programa Armageddon Agenda, com o qual o governo deu carta branca a Will Magnus para caçar mutantes usando seus sentinelas, e durante o qual vários membros da JLX, como Mariner, Wraith e Mercury, desapareceram. Mr. X, então, tem de formar uma nova JLX, que conta com Apollo, Amazon, Nightcreeper, Runaway e os novatos Iceberg (Homem de Gelo + Gelo) e Chaos (Destrutor + Joshua Terill), que tentará usar seus poderes combinados para derrotar a criatura. Roteiro de Priest, arte de Oscar Jiminez.

Bat-Thing - Sofrendo de uma doença terminal, o cientista Kirk Sallis injeta em si mesmo um soro experimental, e se transforma em uma criatura apelidada pela imprensa de Bat-Thing (Homem-Coisa + Morcego Humano), considerado por muitos como uma lenda urbana, mas não pelo detetive Clark Bullock (Escritor + Harvey Bullock), que decide proteger a esposa de Sallis, Fraciellen (Ellen Sallis + Francine Langstrom), e sua filha, Kelly (Job Burke + Elizabeth Langstrom), pois imagina que elas serão atacadas pelo monstro. Enquanto isso, Bullock e sua parceira, Christine Montoya (Christine Palmer + Renee Montoya), investigam um assassinato que pode estar ligado a um antigo desafeto de Bullock, Fat Freddy (Federico Fanelli + Alfonse Face). Roteiro de Larry Hama, arte de Rodolfo Damaggio.

Lobo the Duck - Ao retornar à Terra após uma missão no espaço, o mercenário psicótico Lobo (Howard, o Pato + Lobo, pois é), descobre que Manhattan foi destruída, e todos os super-heróis do planeta estão mortos. Enquanto toma uma cerva no bar de Al Forbush (Irving Forbush + Al), junto a seu fiel companheiro, Impossible Dawg (Homem Impossível + Buldogue), e pensa no que fazer, ele é desafiado pelo vilão Ambush the Lunatik (Lunático + Besouro Bisonho), confrontado por sua namorada, Bevarlene (Beverly Switzler + Darlene), e atacado pelos mercenários Jonas Turnip (Nabo Espacial + Jonas Glim), Gamorola (Gamora + Shao-la) e Billie the Millie (Millie, a Modelo + Billy, a Garota). Quando Jonas está prestes a revelar quem é o vilão da história, ele é atacado por seu irmão gêmeo, Daryl Rutabaga (Nabo Espacial + Jonas Glim). Lobo deduz que o vilão é Gold Kidney Lady (Velha dos Rins + Goldstar), mas não sabe que a destruição de Manhattan foi um plano de seu arqui-inimigo, Doctor Bongface (Dr. Bong + Scarface). Roteiro de Al Grant, arte de Val Semeiks.

Generation Hex - Na época do Velho Oeste, após viver uma infância sofrendo bullying por ser diferente, Jono Hex (Câmara + Jonah Hex) decide formar um grupo de párias, composto por Madame Banshee (Banshee + Madame .44), Johnny Random (Random + Johnny Trovoada), Skinhunter (Derme + Escalpador), White Whip (Rainha Branca + Chicote), Retribution (Suplício + Jane Ruiva) e os gêmeos Northstar Trigger (Estrela Polar + Walter Trigger) e Aurora Trigger (Aurora + Wayne Trigger + Cinnamon), e viver às margens da lei, saqueando trens e diligências, caçando recompensas, e punindo os valentões. Decidido a livrar o oeste de todos os mutantes, Marshall Bat Trask (Bolivar Trask + Bat Lash) cria um exército de robôs chamados Razormen (Sentinelas + Povo-Tesoura) e os envia para exterminar o bando de Hex. Roteiro de Peter Milligan, arte de Adam Pollina.

Challengers of the Fantastic - Após sobreviver a um acidente durante um voo espacial, o gênio da ciência Reed "Prof" Richards, a agente da S.H.I.E.L.D. Sue "Ace" Storm, o jovem e destemido Johnny "Red" Storm e o senador Ben "Rocky" Grimm decidiriam dedicar suas vidas a melhorar a humanidade, se tornando os Challengers of the Fantastic (Quarteto Fantástico + Desafiadores do Desconhecido). Um dia, Prof está estudando uma nova dimensão; Rocky está negociando um tratado diplomático entre Bronze Panther e Kragoff (uma versão alternativa do Fantasma Vermeho, da Marvel, que no Universo Amalgam é o governante da Cidade Gorila), que comparece acompanhado de Comrade Grodd (Mikhlo + Goorila Grodd), Rus Simeon (Peotr + Sam Simeon) e Congo-Red (Igor + Congorila); e Red está com Stormtrooper (Scott Lang + Eléktron), se lembrando do encontro entre os Challengers of the Fantastic e os Un-People (Inumanos + Povo da Eternidade), durante o qual ele conheceu o amor de sua vida, Dream Crystal (Cristalys + Belos Sonhos), mas a Família Real, composta por Vykin the Black Bolt (Raio Negro + Vykin, o Negro), Medusa Moonrider (Medusa + Mark Moonrider), Big Gorgon (Gorgon + Grande Urso) e Triserinak (Karnak + Triton + Serifan), impediu que o jovem casal ficasse junto, com Red tendo de ser consolado por seu melhor amigo, Wyatt Flying Stag (Wyatt Wingfoot + Chefe Apache); quando Ace os convoca para uma reunião. Segundo Uatu the Guardian, a Terra está prestes a ser atacada por Galactiac (Galactus + Brainiac), um ser cósmico tecno-orgânico que planeja transformar toda a vida do planeta em energia para recarregar suas baterias. Enquanto tentam encontrar uma forma de deter Galactiac no laboratório de June Masters (Alicia Masters + June Robbins), importante cientista do Projeto Cadmius e filha de Multi-Master (Mestre dos Bonecos + Multi-Homem), vilão que, no passado, tentou dominar a Terra com seu robô Ultivac (Homem-Máquina + Ultra, o Multi-Alien), os Challengers of the Fantastic recebem a visita de Silver Racer (Surfista Prateado + Corredor Negro), que lhes informa que o vilão já chegou à Terra e já está montando seu equipamento. Conseguirão os heróis detê-lo a tempo? Participação especial de Doctor Doomsday. Roteiro de Karl Kesel, arte de Tom Grummett.

Iron Lantern - Um dia, enquanto testava uma nova aeronave experimental, o industrial Hal Stark encontrou uma espaçonave caída no deserto. Ao se aproximar, um defeito fez com que ele também caísse, ficando com pequenas partículas de metal alojadas em seu peito. Para não morrer, ele usaria partes da espaçonave para construir uma armadura, energizada por uma espécie de lanterna que a nave trazia em seu interior. Mais tarde, ele descobriria que o moribundo piloto da nave era Rhomann Sur (Rhomann Dey + Abin Sur), e que o poder da lanterna, vindo de Oa, o Planeta Vivo (Ego + Oa), lhe permitiria realizar qualquer coisa que sua imaginação quisesse. Aliando o poder da lanterna ao de sua armadura, Stark se tornaria o herói conhecido como Iron Lantern (Homem de Ferro + Lanterna Verde). Anos depois, Iron Lantern derrota o vilão HECTOR (MODOK + Hector Hammond), e, devendo levá-lo para uma prisão em Oa, se atrasa para um compromisso na Terra, o de testar um novo modelo de jato supersônico, construído por sua empresa, a Stark Aircraft, para o governo. Sem poder mais aguardá-lo, sua colega Pepper Ferris (Pepper Potts + Carol Ferris) decidiria ela mesma pilotar o jato, mesmo sob protestos de seus amigos Stewart Rhodes (Máquina de Combate + John Stewart) e Happy Kalmaku (Happy Hogan + Thomas Kalmaku). O jato é sabotado, mas Iron Lantern chega bem a tempo de salvar Pepper; na festa organizada pela Stark Aircraft à noite, porém, Stark terá de lidar não somente com o maior financiador do projeto, o senador Harrington Ferris (Harrington Byrd + Carl Ferris), pai de Pepper, extremamente insatisfeito com o que considera ser incompetência de Stark, e que vai acompanhado de seus dois seguranças, Gardner (versão Amalgam de Guy Gardner, da DC) e Gyrich (versão Amalgam de Henry Peter Gyrich, da Marvel), mas também com o retorno de um de seus piores inimigos: ao encontrar uma joia misteriosa, Pepper volta a se transformar em Madame Safira (Madame Máscara + Safira Estrela), e, para se vingar de Iron Lantern, conjura o monstro Great White (Último + Tubarão-Tigre). Como se isso já não bastasse, Kyle O'Brien (Kevin O'Brien + Kyle Rayner), está disposto a roubar a armadura de Stark, para que ele mesmo se torne o Iron Lantern, e o arqui-inimigo de Iron Lantern, Mandarinestro (Mandarim + Sinestro), trama um plano secreto nas sombras. Roteiro de Kurt Busiek, arte de Paul Smith.

Thorion of the New Asgods - L'ok D'saad (Loki + Desaad) faz um pacto com Thanoseid para conseguir o artefato conhecido como Mother Cube (Cubo Cósmico + Caixa Materna), que lhe dará poder para destronar seu pai, Highfather Odin, e se tornar o novo governante de Nova Asgard. O único que pode detê-lo é seu meio-irmão, Thorion (Thor + Orion). Participação especial de Bald'r (Balder + Magtron). Roteiro de Keith Giffen, arte de John Romita Jr.

The Magnetic Men Featuring Magneto - Após Antimony, Bismuth, Colbalt, Iron e Nickel serem destruídos durante uma batalha, Magneto conclui que eles não devem mais lutar em sua guerra, e, com a ajuda de Mr. Mastermind (Mestre Mental + Senhor Cérebro), os reconstrói e cria identidades humanas para que eles possam viver suas vidas em paz, transformando-os, respectivamente, na modelo Debbie Walker (Patsy Walker + Debbie Stoner), o músico Snapper Jones (Rick Jones + Snapper Carr), o executivo Lucius Richmond (Richmond Wagner + Lucius Fox), o trabalhador da construção civil John Henry Steel (versão Amalgam da identidade secreta do herói Aço, da DC) e o fotógrafo Lance Vale (Randy Vale + Lance Gardner). Isso será mais difícil do que o esperado, porém, já que os Magnetic Men serão atacados pela Sinister Society (Sexteto Sinistro + Sociedade Secreta de Supervilões), grupo de vilões composto por Vance Cosmic (Vance Astro + Cósmico), Black Vulture (Abutre + Condor Negro), Soniklaw (Garra Sônica + Sonar), Deathborg (Deathlok + Ciborgue), Quasimodox (Quasímodo + Vril Dox), Chemodam (MODAM + Químio) e Kultron (Ultron + Kobra). Enquanto isso, Magneto planeja invadir a fortaleza de Will Magnus e enfrentar seu irmão e Jocasta sozinho. Roteiro de Tom Peyer, arte de Barry Kitson.

Exciting X-Patrol - Elastigirl, Shatterstarfire, Ferro-Man, Beastling e Dial H.U.S.K. estão de volta, acompanhados de um novo membro, Jericho (Nate Grey + Coisa + Jericó). Dessa vez, sua missão é salvar Niles Cable do vilão Brother Brood (Ninhada + Irmão Sangue), por quem foi capturado após a X-Patrol ser traída por outra membro nova, Terra-X (Terrax + Terra). Enquanto aguarda a chegada de seus colegas, Cable se lembra de seu passado, com sua esposa Raveniya (Aliya + Ravena) e seus antigos aliados, Black Orchid the Unknown (Ômega + Orquídea Negra), Vigilante Kid (Rawhide Kid + Vigilante), os Microstar Micronauts (Micronautas + Darkstars), os Sea Devil Dinosaurs (Dinossauro Demônio + Demônios do Mar), Deaddevil (Demolidor + Desafiador), Silver Tornado (Samurai de Prata + Tornado Vermelho), Atomic Black Knight (Cavaleiro Negro + Cavaleiro Atômico) e Prez, o Mestre do Kung Fu (Shang Chi + Prez). Durante a história, Dial H.U.S.K. se transforma em Artemisty Knight (Misty Knight + Ártemis); e Beastling cita a dupla Hawk & Dagger, formada por um personagem da DC (Hawk, ou Rapina, da dupla Rapina e Columba) e um da Marvel (Dagger, ou Adaga, da dupla Manto e Adaga). Roteiro de Barbara Kesel, arte de Bryan Hitch.

Spider-Boy Team Up - Durante uma luta contra Scavulture (Abutre + Necromante), Spider-Boy é enviado para o futuro, onde conhece a Legion of the Galactic Guardians 2099 (Guardiões da Galáxia + Legião dos Super-Heróis), composta por Vance Cosmic, Martinex 5 (Martinex + Brainiac 5), Living Lightning Lass (Relâmpago Vivo + Moça-Relâmpago), Sun Lord (Senhor do Fogo + Solar), Cannonfire (Míssel + Pulsar), Multiple Maid (Homem Múltiplo + Moça Tríplice), Psi-Girl (Psylocke + Satúrnia), Growing Boy (Homem Crescente + Leviatã), Living Lightning Lad (Electro + Relâmpago), Lady Bug (Vespa + Violeta), Universe Boy (Capitão Universo + Ultra-Rapaz), Dream Date (Sina + Sonhadora), Molecule Lad (Homem Molecular + Transmutador), Invisible Girl (Mulher Invisível + Rapaz Invisível), Bouncing Boy (Speedball + Saltador), Paste-Eater Pete (Pete Goma Arábica + Digestor), Fantastic Lad (Sr. Fantástico + Rapaz Elástico), Chameleon (Camaleão + Camaleão), Phantom Cat (Kitty Pride + Etérea), Shadowstar (Águia Estelar + Penumbra), Star Charlie (Charlie-27 + Ástron) e Timberwolf by Night (Lobisomem + Lobo Cinzento). Ele só pode ficar dez minutos em 2099, ou causará um colapso temporal; quando a Legião está prestes a devolvê-lo ao presente, porém, a máquina do tempo é destruída pelo Frightful Five (Quarteto Terrível + Quinteto Fatal), grupo de vilões composto por Agamotto Empress (Olho de Agamotto + Imperatriz Esmeralda), Manorb (Olho + Mano), Sparticus (Gladiador + Persuasor), Tharlock (Deathlok + Tharok) e Valinus (Terminus + Validus). Quando o colapso está prestes a acontecer, Spider-Boy é enviado para cinco anos no futuro, pelos membros da Legião que sobreviveram, e agora têm a tecnologia para enviá-lo ao presente e impedir o colapso. Mas, por alguma razão, ele vai parar em uma linha temporal diferente, na qual a Legião é formada por Vance Cosmic, Psi-Girl, Martinex 5, Universe Boy, Phantom Cat, Chameleon, Lady Bug, Invisible Girl, Lectron (novo nome de Living Lighting Lad), Myriad (novo nome de Multiple Maid), Nucleus (novo nome de Molecule Lad), Mass (novo nome de Star Charlie), Darkstar (Estrela Negra + Penumbra), Sparkler (Cristal + Pluma), Xcel (Mercúrio + XS), Phoenetix (Rachel Summers + Kinetix) e Living Colossus (Colosso Vivo + Micro-Rapaz). Quando finalmente consegue voltar para o presente, Spider-Boy descobre que tudo era um plano de Kang, o Conquistador do Tempo (Kang + Senhor do Tempo), e, para deter o vilão, precisará da ajuda de Spider-Boy 2099 (Homem-Aranha 2099 + Mon-El). Participações especiais de Silver Racer, Rex Leech, Betty Brandt e Otto Octavius, e Spider-Boy também cita a dupla Hawk & Dagger. Roteiro de R.K. Sternsel, arte de Ladronn. Não por acaso, o nome da história é Too Many Heroes... Too Little Time ("muitos heróis, pouco tempo"); o nome da revista é uma referência a Spider-Man Team Up, revista publicada pela Marvel na década de 1990 que sempre trazia o Homem-Aranha em parceria com outro herói da editora.

As revistas da segunda leva da Amalgam não fizeram tanto sucesso quanto as da primeira; a principal crítica foi a de que os roteiristas pareciam mais preocupados em enfiar o maior número de amálgamas possível em cada história ao invés de se concentrar no enredo, o que levou a histórias de pior qualidade. As baixas vendas acabariam fazendo com que Marvel e DC desistissem do Universo Amalgam, com a segunda leva se tornando a última.

Os encontros entre os personagens das duas editoras, por outro lado, continuariam acontecendo, com dois deles ocorrendo ainda em 1997. O primeiro seria Daredevil and Batman, edição produzida e lançada pela Marvel em janeiro, com roteiro de D.G. Chichester e arte de Scott McDaniel, na qual Batman e Demolidor precisam se unir para deter uma parceria entre Duas Caras e Mister Hyde; curiosamente, é "revelado" que Harvey Dent (o homem que se transformaria em Duas Caras) conhece Matt Murdock (o advogado que é a identidade secreta do Demolidor) da época em que era um promotor público. O segundo seria Batman & Spider-Man, edição produzida e lançada pela DC em outubro, com roteiro de J.M. DeMatteis e arte de Graham Nolan, na qual Ra's al-Ghul e o Rei do Crime se unem para dominar o mundo, e os únicos que podem detê-los são Batman e o Homem-Aranha. Curiosamente, vale citar que, em teoria, essas histórias ocorrem no estilo de DC vs. Marvel, com os dois universos sendo separados e os personagens de um aparecendo misteriosamente no outro (Acesso, em sua aparição seguinte, chega a citar "a aventura com o Batman e o Demolidor"), mas, na prática, se considerarmos os diálogos dos heróis e alguns outros elementos, concluímos que elas ocorrem na crossover earth (ou Terra-7642).

Também restava o lançamento de uma segunda minissérie como parte do acordo firmado após a primeira leva da Amalgam, esta totalmente produzida e lançada pela Marvel. Com o nome de Unlimited Access (lançada no Brasil como Marvel vs. DC Série Três), roteiro de Karl Kesel e arte de Pat Olliffe, a terceira e última minissérie com a presença de Acesso teria quatro edições mensais, lançadas entre dezembro de 1997 e março de 1998.

Mais uma vez, personagens de um universo começam a aparecer no outro - Mantis, dos Novos Deuses, aparece no Universo Marvel, sendo enfrentado pelo Homem-Aranha, e o Hulk vai parar no Universo DC, onde é enfrentado pelo Lanterna Verde. Acesso decide investigar mais uma vez o que está acontecendo, e descobre que, além de viajar entre os universos, ele pode também viajar através do tempo; como ainda não sabe controlar esse poder direito, porém, ele acaba indo parar em várias épocas diferentes, como o Velho Oeste de Jonah Hex e o futuro sombrio da história dos X-Men Dias de um Futuro Esquecido. Como se isso já não fosse ruim o suficiente, quem está por trás das trocas de universo desta vez é Darkseid, que, de alguma forma, descobriu como enviar personagens de um universo para o outro. Vindo para o Universo Marvel da década de 1960 (mas referenciado na história como "de dez anos atrás"), ele faz um pacto com Magneto, e, enquanto os Parademônios atacam a Terra, os Novos Deuses e a Irmandade de Mutantes se reúnem no Asteroide M para traçar a conquista do planeta.

Acesso descobre ter também o poder de criar amálgamas, e, para atacar o Asteroide M, ele cria alguns usando membros da Liga da Justiça, da Justiça Jovem, dos Vingadores e dos X-Men originais: Thor-El (Thor + Super-Homem), Captain America Jr. (Capitão América + Capitão Marvel Jr.), Redwing (Anjo + Robin), Green Goliath (Gigante + Lanterna Verde), Wonder Wasp (Vespa + Moça Maravilha), Jean Black (Garota Marvel + Canário Negro) e Quick Freeze (Homem de Gelo + Impulso). Infelizmente, Darkseid parece também ter o poder de criar amálgamas, e os recebe com alguns formados a partir de membros dos Novos Deuses e de duas encarnações da Irmandade de Mutantes: Sabrebak (Dentes de Sabre + Kalibak), Virmin Vundavort (Groxo + Virman Vundabar), Kantique (Mística + Kanto), Silverlance (Mercúrio + Devilance), Disastermind (Mestre Mental + Desaad), Red Lash (Feiticeira Escarlate + Lashina) e Blobba (Blob + Stompa - melhor nome de todos, na minha opinião).

Os dois encontros seguintes ocorreriam em 1999. Em Superman/Fantastic Four, produzido e lançado em abril pela DC, com roteiro e arte de Dan Jurgens, o Superciborgue convence Galactus a transformar o Super-Homem em seu novo arauto, e o Quarteto Fantástico deve agir para ajudar o Homem de Aço a se livrar do controle mental do Devorador de Mundos. Já em The Incredible Hulk vs. Superman, produzido e lançado pela Marvel em outubro, com roteiro de Roger Stern e arte de Steve Rude, Lex Luthor cria uma duplicata robótica do Hulk com a qual ataca Metrópolis, e, enquanto o Último Filho de Krypton está ocupado enfrentando o verdadeiro Golias Esmeralda, sem saber que ele não tem nada a ver com o ataque, o vilão planeja roubar uma nova tecnologia experimental de raios gama e usá-la para destruir ambos os heróis. No ano seguinte, em janeiro de 2000, a DC produziria e lançaria Batman/Daredevil: King of New York, com roteiro de Alan Grant e arte de Eduardo Barreto, na qual o Rei do Crime se alia ao Espantalho para controlar Nova Iorque, mas é traído, e busca a ajuda do Demolidor para derrotar o vilão, que agora ameaça até mesmo o império do Rei; o Homem sem Medo, por sua vez, pede ajuda ao Cavaleiro das Trevas, mais acostumado a enfrentar o Espantalho. Todas essas três histórias ocorrem na crossover earth.

Por enquanto, o último encontro entre personagens Marvel e DC ocorreu na minissérie JLA/Avengers, com quatro edições lançadas entre setembro de 2003 e março de 2004, as ímpares pela DC e as pares pela Marvel (e com o título invertido, ou seja, Avengers/JLA). Desde que Marvel e DC voltaram a trabalhar juntas na década de 1990, houve interesse de ambos os lados em ressuscitar o especial que havia sido acordado por ambas lá em 1979; detalhes na negociação do projeto (como o melhor formato, com a conclusão de que uma minissérie seria melhor que uma edição única), entretanto, fariam com que o acordo para sua publicação só fosse efetivamente firmado em 2002. Na época, ficaria acertado que a história original de Gerry Conway (que, a bem da verdade, jamais chegou a ser finalizada) seria descartada, e que uma nova história seria escrita por Kurt Busiek, com George Pérez ainda sendo o responsável pela arte; a preferência de Marvel e DC era que o roteiro fosse escrito em conjunto por Busiek (na época o roteirista dos Vingadores) e Mark Waid (o roteirista da Liga da Justiça no início dos anos 2000), mas, como Waid não estava disponível em 2002, por ter assinado um contrato de exclusividade com a editora CrossGen, Marvel e DC optariam por fazer de Busiek o único roteirista.

Na minissérie, que usa o conceito de universos separados de DC vs. Marvel, Krona, o ser cósmico que causou a divisão do universo DC em múltiplas realidades, decide viajar pelos universos para descobrir o segredo da criação, destruindo alguns deles no caminho. Ao chegar ao universo Marvel, ele se depara com o Grão-Mestre, que lhe propõe um jogo: cada um deles escolherá uma equipe de campeões, que se enfrentarão; se a equipe de Krona vencer, o Grão-Mestre o apresentará a Galactus, único ser do Universo Marvel presente em sua criação, e teoricamente testemunha do tal segredo, e, se a equipe do Grão-Mestre vencer, Krona continuará em sua busca, mas sem destruir o Universo Marvel. Krona topa, e, em um desenrolar inesperado dos fatos, escolhe os Vingadores para representá-lo, enquanto o Grão-Mestre escolhe a Liga da Justiça - ou seja, a maneira mais fácil para os Vingadores evitarem a destruição de seu próprio universo seria perder, não ganhar; manipulados por Krona, porém, os Vingadores acreditam que os membros da Liga são déspotas fascistas que obrigam a todos no Universo DC a venerá-los, e decidem enfrentá-los com todas as suas forças. É interessante notar que os personagens Marvel e DC não se conhecem nessa história, que considera que este teria sido o primeiro encontro de personagens dos dois universos - ou seja, ignorando os eventos das três minisséries.

JLA/Avengers teve boas vendas, mas diversos fatores alheios à vontade das duas editoras evitariam que novas colaborações fossem possíveis - dentre eles a compra da Marvel pela Disney em 2009; como Disney e Warner (a dona da DC desde 1967) estão atualmente disputando espaço no cinema e na TV, parece pouco provável que as editoras recebam permissão de suas controladoras para trabalharem juntas novamente. Mas, como nada é impossível, quem sabe não resolvem ressuscitar a ideia de Obst e fazer um filme estrelado tanto pelo Super-Homem quanto pelo Homem-Aranha?
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DC vs. Marvel / Amalgam Comics (I)

Como eu já disse aqui uma centena de vezes, na década de 1990 houve um boom dos quadrinhos. Novas editoras surgiram, novos títulos foram lançados em profusão, novos talentos apareceram a cada mês. Alguns argumentam que a quantidade ultrapassava a qualidade, mas, no geral, foi uma boa época para ser fã de quadrinhos.

Em meio a essa pujança toda, porém, Marvel e DC não estavam satisfeitas. Uma das principais editoras novas, a Image, havia sido fundada justamente por egressos das duas gigantes, que, insatisfeitos com a forma como eram tratados, decidiram assumir as regras do jogo. Junto com eles, levaram boa parte do público, com as vendas iniciais da Image alcançando patamares jamais sonhados para uma editora nova, e ameaçando um império que Marvel e DC levaram décadas para construir - de fato, em 1993, as vendas da Image chegaram a superar as da DC, colocando-a em segundo lugar no mercado editorial norte-americano de quadrinhos, atrás apenas da Marvel. A Image acabaria implodindo poucos anos após sua fundação - hoje, briga com Dark Horse e IDW para ser a terceira força dos quadrinhos - mas, quando ela estava na crista da onda, Marvel e DC a viam como uma ameaça bem real. E, conforme costuma acontecer com rivais nesses casos, as duas decidiriam se unir para combater um inimigo em comum.

Marvel e DC costumam ser vistas por muitos fãs como inimigas, mas, na realidade, elas estão mais para rivais amistosas. Não é incomum que um profissional, após anos trabalhando em uma delas, seja contratado pela outra, para, algum tempo mais tarde, voltar a trabalhar na primeira - até mesmo Jack Kirby, co-criador dos principais personagens Marvel, trabalharia para a DC, onde criaria, dentre outros personagens, Darkseid - e não é comum que elas se ataquem - você não vê, por exemplo, o pessoal da Marvel Studios falando mal de Batman vs. Superman. Desde a década de 1970, Marvel e DC já haviam colaborado em alguns títulos que traziam personagens de ambas, mas, para combater a Image, o esforço teria de ser maior. E, desse esforço, surgiria a Amalgam Comics.

Quando os primeiros títulos da Amalgam foram lançados, em 1996, eu tinha 18 anos. Na minha opinião de pós-adolescente, eles eram uma das coisas mais legais que já haviam acontecido na história dos quadrinhos, de forma que, até hoje, essa memória afetiva faz com que eu ache que eles sejam melhores do que realmente são, e às vezes até lamente que os personagens não sejam melhor explorados - embora reconheça que um game, um desenho animado, ou até mesmo novos títulos da Amalgam devem ser pesadelos logísticos hoje em dia. Eu já venho pensando em falar sobre a Amalgam há algum tempo, e até já havia começado a escrever esse post quando decidi adiá-lo para fazer o das Eras dos Quadrinhos - para que dois assuntos tão parecidos não ficassem tão próximos. Quando finalmente decidi escrever, acho que me empolguei, decidi escrever também sobre outras colaborações entre Marvel e DC, e, conforme o (I) ali no título atesta, o post ficou grande demais e teve de ser dividido em dois. Assim, hoje e semana que vem, teremos não somente Amalgam Comics, mas também DC vs. Marvel no átomo!

Como eu acabei de dizer, colaborações entre Marvel e DC não eram exatamente uma novidade; a primeira delas aconteceria em janeiro de 1976, com o lançamento da revista Superman vs. The Amazing Spider-Man, que trazia como subtítulos "o maior encontro de super-heróis de todos os tempos" e "a batalha do século". A ideia de criar essa edição partiria não da Marvel ou da DC, mas do roteirista David Obst, que entraria em contato tanto com Stan Lee, na época editor da Marvel, quanto com Carmine Infantino, na época editor da DC, se oferecendo para escrever o roteiro de um filme para o cinema estrelado por ambos os heróis. A ideia não seria levada a sério, mas Stan Lee e Infantino decidiriam entrar em contato um com o outro para trabalhar em uma edição conjunta estrelada tanto pelo Super-Homem quanto pelo Homem-Aranha. A edição seria publicada tanto pela Marvel quanto pela DC, com metade da tiragem ficando a cargo de cada editora.

Nessa edição mais do que especial, com roteiro de Gerry Conway e arte de Ross Andru, ambos profissionais que já haviam trabalhado tanto na série mensal do Super-Homem quanto na do Homem-Aranha, Lex Luthor e o Dr. Octopus se conhecem na prisão, e decidem se unir para atacar em conjunto seus maiores adversários. Como primeira parte de seu plano maligno, eles sequestram Lois Lane e Mary Jane, e fazem cada herói acreditar que o outro estaria por trás do sequestro - ou seja, antes de se aliarem para deter os vilões, Super-Homem e Homem-Aranha brigam entre si, com a luta terminando em empate quando eles descobrem o que está acontecendo. Curiosamente, a história considera que os personagens Marvel e DC sempre existiram no mesmo universo, não se esforçando para dar qualquer explicação sobre por que eles jamais haviam se encontrado até agora. Apesar de muito anunciada e divulgada, a revista teve vendas abaixo do esperado, e um novo confronto entre os dois principais heróis das duas maiores editoras de quadrinhos norte-americanas só ocorreria cinco anos depois.

Em 1974, a Marvel havia lançado a série Marvel Treasury Edition, dedicada a republicações das principais histórias de seus personagens, mas em "formato de revista" (25,4 x 35,6 cm; como comparação, o "formato americano" de revistas em quadrinhos tem 16,8 x 25,7 cm). Em 1977, a DC lançaria uma série semelhante (para não dizer idêntica), chamada DC Special Series. No início da década de 1980, como nenhuma das duas estava vendendo bem, ambas estavam pensando em encerrá-las, e Al Milgrom, editor da Marvel na época, entraria em contato com Dick Giordano, o editor da DC, para conversar sobre a possibilidade de realizar um novo encontro entre o Super-Homem e o Homem-Aranha na última edição da Marvel Treasury Edition. Giordano gostou da ideia, e negociou um encontro entre Batman e Hulk para a última edição da DC Special Series. Dessa vez não haveria publicação em conjunto, com a Marvel Treasury Edition 28 sendo produzida e publicada exclusivamente pela Marvel, e a DC Special Series 27 sendo produzida e publicada exclusivamente pela DC. Ambas seriam lançadas em julho de 1981.

A Marvel Treasury Edition 28 teria roteiro de Marv Wolfman e Jim Shooter, e arte de John Buscema. A aventura começa quando o Dr. Destino engana o Hulk para que ele ataque Metrópolis, sendo detido pelo Super-Homem, o que faz com que Bruce Banner seja mantido em custódia pelos Laboratórios Star, e com que o Parasita fuja de uma cela especial destruída durante a briga entre o Homem de Aço e o Gigante Esmeralda - tudo isso sendo parte de um plano do monarca da Latvéria para tornar todas as formas de energia e combustível do planeta inúteis, menos as criadas por um gerador controlado por ele. O Homem-Aranha e a Mulher Maravilha decidem investigar, e, quando a Princesa de Themyscira é capturada pelo vilão, o Cabeça de Teia recorre à ajuda do Último Filho de Krypton para detê-lo.

Enquanto isso, na Distinta Concorrência, a DC Special Series 27 teria roteiro de Len Wein e arte de José Luís García-Lópes. Nela, o Coringa engana o Hulk (coitado do Hulk) para que ele ataque um importante centro de pesquisas das Indústrias Wayne, e, enquanto o Cavaleiro das Trevas está distraído lutando contra o monstro, o Palhaço do Crime faz um pacto com o Figurador, entidade do Universo Marvel com o poder de moldar realidades, para moldar o universo à sua imagem. Felizmente, Batman e Hulk resolvem o mal-entendido bem a tempo de dar um pau no vilão e impedir esse destino terrível.

Mais uma vez, as vendas foram abaixo do esperado, o que deve ter feito a Marvel e a DC concluírem que os fãs não queriam ver crossovers nos quadrinhos. Ainda assim, no ano seguinte eles decidiriam tentar novamente, com o lançamento de The Uncanny X-Men and The New Teen Titans, em abril de 1982. Na época, tanto os X-Men quanto os Jovens Titãs eram extremamente populares, tendo excelente vendagem, e um encontro entre os dois, em teoria, era garantia certa de dinheiro fácil. Marvel e DC, então, negociariam uma publicação conjunta, no mesmo estilo do primeiro encontro entre o Super-Homem e o Homem-Aranha, com metade da tiragem sendo publicada pela Marvel e metade pela DC.

Apesar da publicação conjunta, a produção da revista ficaria quase que inteiramente a cargo da Marvel, com toda a equipe na época responsável pela revista The Uncanny X-Men ficando a cargo de sua produção, incluindo o roteirista Chris Claremont e o desenhista Walt Simonson - o único profissional da DC envolvido no projeto seria Len Wein, que atuaria apenas como consultor. Na história, mais uma vez ambientada em um universo onde existem tanto os personagens Marvel quanto os DC, Darkseid decide usar a energia da Fênix Negra para derrubar a barreira que o separa da Fonte, um dos maiores objetivos de sua vida; para impedi-lo, os X-Men e os Jovens Titãs se unem, mas Darkseid recruta o Exterminador para enfrentá-los até que ele consiga alcançar sua meta.

Conforme o esperado, as vendas do especial foram excelentes; satisfeitas, Marvel e DC começariam a planejar um segundo encontro entre as equipes, desta vez produzido pela equipe de The New Teen Titans - o roteirista Marv Wolfman e o desenhista George Pérez - com previsão de lançamento para dezembro de 1983. A produção desse segundo encontro entre os X-Men e os Novos Titãs, esbarraria, porém, em um problema inesperado: em 1979, Marvel e DC haviam firmado um acordo para lançar uma edição especial cuja história seria um encontro entre a Liga da Justiça e os Vingadores, com roteiro de Gerry Conway e arte de George Pérez. Como tanto Conway como Pérez já estavam envolvidos em outros projetos, o acordo determinaria que a produção começaria em 1981, e o especial seria lançado em 1983. Em 1981, portanto, Pérez começaria a trabalhar sobre uma sinopse de Conway (segundo a qual a história envolveria viagens no tempo e os vilões seriam Kang e Epoch), e chegaria a desenhar 21 páginas; como ele estava envolvido com esse projeto, o segundo encontro entre X-Men e Titãs teve de ser adiado. Desentendimentos entre a Marvel e a DC, entretanto, acabariam levando ao cancelamento de ambos os especiais, e a um estranhamento entre as duas editoras que perduraria por toda a década de 1980. Assim, um novo encontro entre personagens Marvel e DC só ocorreria na década seguinte.

Em 1993, Marvel e DC finalmente chegariam a um acordo para lançar duas edições especiais, envolvendo os personagens Batman e Justiceiro. A primeira dessas edições seria produzida e lançada pela DC em janeiro de 1994, com roteiro de Dennis O'Neil e arte de Barry Kitson; chamada Batman/Punisher: Lake of Fire, nela o Justiceiro segue seu arqui-inimigo Retalho até Gotham, onde é confundido com um criminoso por Azrael (que, na época, havia assumido o nome e o cargo de Batman após Bruce Wayne ter sua coluna quebrada pelo vilão Bane) e atacado, enquanto o vilão une forças com o Coringa. A segunda edição se chamaria Punisher/Batman: Deadly Knights, e seria produzida e lançada pela Marvel em outubro de 1994, com roteiro de Chuck Dixon e arte de John Romita Jr. Nela, Retalho retorna a Gotham, decidido a se tornar um chefão do crime local, e é seguido mais uma vez pelo Justiceiro, que, dessa vez, tem de enfrentar o Batman original, que já havia voltado à ativa.

O encontro seguinte seria não entre heróis, mas entre vilões. Em Darkseid vs. Galactus: The Hunger, lançada pela DC em janeiro de 1995, com roteiro e arte de John Byrne, Galactus decide comer Apokolips, o planeta governado por Darkseid, que fará tudo a seu alcance para impedi-lo; enquanto isso, o Surfista Prateado, na época na qual a história é ambientada ainda arauto do Devorador de Mundos, enfrenta Orion, que também está disposto a impedir a destruição do planeta. Em setembro de 1995, seria a vez do lançamento, pela Marvel, de Spider-Man and Batman: Disordered Minds, com roteiro de J.M. DeMatteis e arte de Mark Bagley. Dessa vez, a psiquiatra Cassandra Briar decide fazer uma experiência com o Coringa e com Cletus Kasady (a identidade humana do vilão Carnificina), implantando em seus cérebros um chip que neutraliza seus instintos homicidas; o que ela não previu foi que o simbionte de Carnificina neutralizaria o chip de Kasady, e depois ajudaria o Coringa a neutralizar o dele, com os dois vilões decidindo se unir para instaurar um reinado de terror em Gotham. O Homem-Aranha e Batman, então, têm de se unir para detê-los. E, em dezembro de 1995, seria a vez de Green Lantern/Silver Surfer: Unholy Alliances, lançada pela DC com roteiro de Ron Marz e arte de Darryl Banks, na qual Thanos constrói uma arma capaz de destruir o universo, mas que precisa de um anel dos Lanternas Verdes para funcionar; ele recruta o Superciborgue e Terrax para atacar Kyle Rayner, que precisará da ajuda do Surfista Prateado para deter o vilão.

Essas cinco edições especiais abririam caminho para o principal projeto colaborativo da Marvel e da DC na década de 1990, a minissérie DC vs. Marvel. Como já foi dito, o intuito de todos esses encontros era alavancar as vendas e recuperar parte do dinheiro e prestígio perdidos para a Image; a minissérie seria o ápice desse plano, um dos eventos mais aguardados e comentados do ano, graças a uma extensiva campanha de marketing que começaria já em 1995. A minissérie teria quatro edições mensais, lançadas entre fevereiro e maio de 1996, sendo a primeira e a quarta edições produzidas e lançadas pela DC, e a segunda e a terceira lançadas pela Marvel (e com o título invertido, ou seja, Marvel vs. DC).

Com roteiro de Peter David e Ron Marz, e arte de Dan Jurgens e Claudio Castellini, a minissérie pela primeira vez trataria os universos Marvel e DC como separados, sem que os personagens de um tivessem qualquer contato com os do outro - e ignorando os eventos dos encontros entre heróis das duas editoras ocorridos anteriormente. A história começa quando dois irmãos, que são as personificações desses universos, tomam conhecimento um do outro, e decidem se envolver em uma disputa para determinar qual seria mais poderoso, usando os heróis de cada um como campeões - e o prêmio será a destruição total do universo perdedor. Com isso, vários personagens da DC são transportados para o Universo Marvel e vice-versa, e acabam relutantemente se enfrentando para que seus universos não sejam destruídos.

Seis dos confrontos entre os heróis tiveram seus resultados determinados pelos roteiristas: Aquaman derrotou Namor, Elektra venceu a Mulher-Gato, Flash correu mais que Mercúrio, o Surfista Prateado nocauteou o Lanterna Verde, Robin foi mais esperto que Jubileu, e Thor suplantou o Capitão Marvel (para um placar de 3 a 3). Em uma interessante jogada de marketing, porém, Marvel e DC determinaram que os cinco confrontos principais da minissérie seriam decididos pelos leitores, que poderiam votar em qual dos dois personagens de cada embate achavam que seria superior. Como na época não havia internet, a votação era feita através de cédulas e urnas espalhadas por lojas de quadrinhos de todos os Estados Unidos; não era preciso comprar nada, bastava entrar na loja, pegar uma cédula, marcar quem você achava que deveria vencer e depositá-la na urna - teoricamente, cada pessoa só podia votar uma vez, mas eu não sei como fizeram para impedir que alguém votasse múltiplas vezes. Essa votação foi feita ao longo do ano de 1995, para que a minissérie pudesse ser finalizada e impressa a tempo de ser distribuída. Nos cinco confrontos com decisão do público, o Super-Homem se mostrou mais forte que o Hulk, o Homem-Aranha venceu o Superboy; Batman derrotou o Capitão América; Tempestade sobrepujou a Mulher Maravilha, e, para desempatar, Wolverine venceu Lobo, na luta mais controversa de todas - primeiro porque eles lutam atrás do balcão de um bar, sem que dê pra ver nada, segundo porque, até hoje, os fãs da DC, especialmente do Lobo, não se conformam com o resultado, alegando que o Maioral jamais perderia uma luta, nem mesmo para o Wolverine.

DC vs. Marvel teria um novo personagem, chamado Acesso (Access, no original), na verdade Axel Asher (Axel era um nome bem popular nos anos 1990), um rapaz aparentemente sem nada de especial, que recebeu do guardião do portal entre os dois universos o poder de transitar livremente entre eles - Marvel e DC decidiriam que Acesso seria um "personagem conjunto", e que, no futuro, ambas poderiam usá-lo livremente, embora, devido à própria natureza de seus poderes, fosse pouco provável que isso acontecesse. Acesso toma a decisão de imbuir Batman e Capitão América com as energias de cada um de seus respectivos universos, pois pressente que algo vai dar errado - o que acaba se mostrando uma decisão mais do que acertada.

Apesar da aparente vitória da Marvel (por 6 a 5), na minissérie fica subentendido que o confronto termina em empate, e, para tentar evitar a destruição de um dos universos, o Espectro (da DC) e o Tribunal Vivo (da Marvel), decidem tentar um meio termo: ambos os universos se misturariam, criando um novo. Assim, no final da teceira edição de DC vs. Marvel, os universos Marvel e DC deixam de existir, sendo substituídos pelo universo Amalgam, povoado pelos personagens da Amalgam Comics.

"Amalgam", em inglês, significa "amálgama", palavra de origem árabe que significava "fusão", era usada originalmente na geologia para denominar uma liga de prata e mercúrio, passou a ser usada para qualquer liga que contenha mercúrio (como o amálgama dental, usado em obturações), e, mais tarde, para dar nome a qualquer mistura de dois elementos diferentes que resulta em um todo uniforme. A Amalgam Comics, portanto, seria a mistura da Marvel Comics com a DC Comics - até mesmo seu logotipo possui elementos encontrados nos usados por ambas na época - e seus personagens, apelidados pelos fãs de "amálgamas", eram misturas dos personagens da Marvel com os personagens da DC.

Ao todo, Marvel e DC lançariam duas levas de revistas em quadrinhos da Amalgam Comics. Na primeira foram lançadas 12 edições, todas em abril de 1996; seis delas foram produzidas e lançadas pela DC, as outras seis pela Marvel. Na minha opinião, a DC ficou com os melhores personagens - se você duvida, basta conferir a lista a seguir; nela, as seis primeiras edições listadas são as da DC, as seis últimas são as da Marvel.

Ah, sim: no Brasil, a primeira leva da Amalgam foi lançada em uma minissérie chamada Amálgama, em quatro edições, cada uma com três histórias. Os nomes dos personagens, evidentemente, foram traduzidos, mas eu vou usar os nomes originais em inglês, até porque muitos deles têm trocadilhos que se perdem na tradução e adaptação - por exemplo, o amálgama do Doutor Estranho (Doctor Strange) com o Senhor Destino (Doctor Fate), se chama, em inglês, Doctor Strangefate, mas, em português, virou Doutor Mistério. Após o nome de cada amálgama, entre parênteses, eu vou mencionar quais personagens foram amalgamados para formar o novo, sempre com o nome do da Marvel vindo primeiro.

Super Soldier - Em 1938, uma nave espacial trazendo um bebê caiu no planeta Terra. O bebê não sobreviveu, mas seu DNA foi usado por cientistas norte-americanos para criar um soro especial, injetado em um voluntário no início da Segunda Guerra Mundial. Assim, surgiu o Super Soldier (Capitão América + Super-Homem), que liderou as tropas aliadas rumo à vitória. Infelizmente, antes que tal vitória fosse conquistada, durante uma luta contra o Ultra Metallo (Último + Metallo), Super Soldier caiu no oceano e desapareceu. Cinquenta anos depois, porém, o Super Soldier seria encontrado congelado, trazido de volta à vida, e se tornaria o maior campeão da justiça de nosso planeta. Hoje, entretanto, ele tem um desafio difícil de superar: o líder da organização criminosa Hydra, o cientista milionário conhecido como Green Skull (Caveira Vermelha + Lex Luthor) encontrou o Ultra Metallo e o reativou, e planeja usá-lo para terminar o que começou: liquidar Super Soldier. Essa história conta com a participação de Jimmy Olsen e Perry White (da DC) e Sharon Carter (da Marvel), que não são amálgamas de ninguém, mas versões alternativas dos personagens originais (Jimmy, por exemplo, está bem mais velho, já que foi fotógrafo durante a Segunda Guerra, e Sharon é jornalista, e não agente da S.H.I.E.L.D.). Roteiro de Mark Waid e Dave Gibbons, arte de Dave Gibbons.

Legends of the Dark Claw - O Cavaleiro Mutante das Trevas, Dark Claw (Wolverine + Batman), e sua parceira Sparrow (Jubileu + Robin), a Menina Prodígio, tentam descobrir qual seria o mais novo plano do criminoso psicótico Hyena (Dentes de Sabre + Coringa) para atacar a cidade de Nova Gotham. Enquanto isso, a aventureira Huntress (Carol Danvers + Caçadora) investiga por que os caminhos do Hyena sempre se cruzam com os do milionário filantropo Logan - o que pode levá-la a descobrir a identidade secreta de Dark Claw. Roteiro de Larry Hama, arte de Jim Balent.

Amazon - A Princesa Ororo de Themyscira (Tempestade + Mulher Maravilha) é confrontada pelo deus Poseidon, que a acusa de um crime que ela não cometeu; durante o confronto, a infância de Ororo na Ilha Paraíso é mostrada em flashbacks. Roteiro e arte de John Byrne.

JLX - O misterioso Mr. X (Professor X + Forge + Ajax, que, no Universo Amalgam, além de marciano, é um Skrull) entra em contato com os mutantes membros da JLA (Justice League Avengers, algo como a "Liga da Justiça dos Vingadores") e os convence a se separar da equipe e fundar uma nova, chamada JLX, que parte em busca de Atlântida, o local onde supostamente toda a vida mutante teve início. Os demais membros da JLA, porém, decidem detê-los, já que dentre os membros da JLX está Mariner (Namor + Aquaman), que caiu em uma armação criada por Will Magnus (Bolivar Trask + Will Magnus) e sua amante Jocasta (Jocasta + Clara Kendrall) e agora é procurado pela S.H.I.E.L.D., de forma que a JLA acredita que a JLX, na verdade, quer apenas proteger Mariner e evitar que ele seja entregue à justiça. Os membros da JLX são Mr. X, Mariner, Apollo (Ciclope + Ray), Firebird (Jean Grey + Fogo), Mercury (Mercúrio + Impulso), Nightcreeper (Noturno + Rastejante), Wraith (Gambit + Manto Negro) e Runaway (Vampira + Cigana); os demais membros da JLA são Super Soldier, Dark Claw, Angelhawk (Anjo + Gavião Negro), Clint Archer (Gavião Arqueiro + Connor Hawke), Canary (Harpia + Canário Negro), Goliath (Golias + Oliver Queen) e Captain Marvel (Capitão Marvel + Capitão Marvel). Roteiro de Gerard Jones e Mark Waid, arte de Howard Porter.

Doctor StrangeFate - Mago supremo e mutante mais poderoso do Universo Amalgam, Doctor StrangeFate (Professor X + Dr. Estranho + Sr. Destino) planeja impedir que Acesso separe novamente os Universos Marvel e DC, mas, para isso, primeiro precisa encontrá-lo; para tanto, ele contará com a ajuda de seu assistente Myx (Wong + Sr. Mxyzptlk) e de três heróis que lhe devem favores: Skulk (Hulk + Solomon Grundy), White Witch (Feiticeira Escarlate + Zatanna) e Jade Nova (Frankie Raye + Kyle Rayner). Enquanto não é encontrado, Acesso tem seus próprios problemas, tendo de escapar da fúria de Abominite (Abominável + Hellgrammite). Roteiro de Ron Marz, arte de José Luís García-López.

Assassins - Duas assassinas de aluguel, Dare (Demolidor + Exterminador, só que do sexo feminino) e Catsai (Elektra + Mulher-Gato), são contratadas para matar o prefeito da cidade de Nova Gotham, conhecido como Big Question (Rei do Crime + Charada). Para isso, porém, elas deverão invadir a Torre Arkham e lidar com seus mais perigosos capangas, dentre eles Deadeye (Mercenário + Pistoleiro), Lethal (Kraven + Mulher-Leopardo) e Wired (Cable + Caçador). Roteiro de D.G. Chichester, arte de Scott McDaniel.

Bruce Wayne, Agent of S.H.I.E.L.D. - Após anos perseguindo Green Skull, o homem que assassinou seus pais na sua frente quando ele era apenas uma criança, o Coronel Bruce Wayne da S.H.I.E.L.D. (Nick Fury + Bruce Wayne) está prestes a invadir o quartel general da Hydra e confrontar o vilão cara a cara. Acompanhado de uma equipe composta por Tony Stark (Tony Stark + Silas Stone), Black Bat (Gata Negra + Batgirl) e Moonwing (Cavaleiro da Lua + Asa Noturna), ele inicia a invasão, mas deve lidar com dois outros problemas: sem que Wayne saiba, a filha de Green Skull, Madame Cat (Madame Hidra + Mulher-Gato), com a ajuda dos capangas Baron Zero (Barão Von Strucker + Sr. Frio), Nuke (Bazuca + Bane) e Deathlok (Deathlok + Jason Todd), tomou o poder de seu pai, e agora planeja um grande ataque contra a S.H.I.E.L.D.; e, como seu último ato, Green Skull ativou o Terra Cannon, arma capaz de afundar no oceano toda a costa leste dos Estados Unidos. Roteiro de Chuck Dixon, arte de Cary Nord. Curiosamente, ao longo da história, dois personagens são referenciados pelos nomes errados: Black Bat é chamada por Wayne e Moonwing de Huntress, e Moonwing faz uma referência a uma luta de Dark Claw com Hyena, mas chama o vilão de Jackal. A história também conta com versões alternativas, não-amalgamadas, de Nick Fury (da Marvel) e Sargento Rock (da DC).

Bullets and Bracelets - Trevor Castle (Justiceiro + Steve Trevor) é um homem amargurado, que, após perder sua família, assassinada pela máfia, decidiu travar uma guerra de um homem só contra o crime. Diana Prince (Elektra + Mulher Maravilha) nasceu dentre as amazonas na Ilha Paraíso, mas decidiu fugir para o mundo dos homens e treinar para se tornar uma ninja mercenária. Esse improvável casal teve, no passado, um romance que resultou em um filho. Quando o bebê é sequestrado por Granny Harkness (Agatha Harkness + Vovó Bondade) e suas Fúrias Femininas, Mad Harriet, Bernadeth, Lashina e Stompa (todas as quatro versões alternativas das personagens da DC), eles precisam se unir novamente para salvá-lo, em uma aventura que os levará ao planeta Apokolips, onde enfrentarão War Monarch (Máquina de Combate + Monarca), Big Titania (Titânia + Grande Barda), Kanto (Fandral + Kanto + Validus), e o governante de Apokolips em pessoa, Thanoseid (Thanos + Darkseid). Participações especiais de Bronze Panther (Pantera Negra + Tigre de Bronze) e Highfather Odin (Odin + Pai Celestial). Roteiro de John Ostrander, arte de Cam Smith.

Speed Demon - O vilão Night Spectre (Pesadelo + Espectro) planeja dominar a Terra, o Céu e o Inferno; para isso, ele precisa coletar as almas dos mais puros e dos mais depravados seres humanos, dentre elas, a de Iris Simpson (Roxanne Simpson + Iris West), a qual rouba no dia de seu casamento com Blaze Allen, artista de circo que faz parte de uma trupe composta também por Miss Miracle (Cristalys + Sr. Milagre), Puck (Pigmeu + Oberon), Blob (Blob + Chunk) e o sobrinho de Iris, Wally West. Desesperado, Blaze faz um pacto com o mago Merlin (Merlin + Merlin), e se transforma em Speed Demon (Motoqueiro Fantasma + Etrigan + Flash), que tem supervelocidade e o poder de destruir as almas dos pecadores. Com seus novos poderes, ele decide frustrar os planos de Night Spectre, destruindo as almas dos depravados antes que o vilão consiga roubá-las, enquanto busca uma forma de salvar a alma de Iris. Após a alma de Madman Jordan (Louco + Hal Jordan), que estava em luta contra Uatu the Guardian (Uatu + Ganthet), ser destruída por Speed Demon, só resta uma, a de Two-Faced Green Goblin (Duende Verde + Duas Caras), que está sendo atacado por dois asseclas de Night Spectre, Scarecrow (Espantalho + Espantalho) e Silicon Man (Homem-Areia + Homem-Borracha). Durante a luta, Night Spectre leva Speed Demon para o inferno, onde Blaze e o demônio se separam, e atrai o demônio para uma armadilha, usando como isca a arma de seu antigo hospedeiro, Jay Garrick (Cavaleiro Fantasma + Joel Ciclone). O único que pode salvar Blaze é Wally, transformado por Merlin em Kid Demon (Danny Ketch + Kid Flash). Roteiro de Howard Mackie e James Felder, arte de Salvador Larocca e Al Milgrom. Uma curiosidade quanto a essa revista é que, nela, aparece brevemente um personagem chamado Arrowcaster. Oficialmente, ele seria um amálgama de Ricardito, da DC, com um personagem da Marvel chamado Nightcaster - só que nunca existiu um personagem da Marvel com esse nome. O fato de Arrowcaster aparecer em apenas um quadrinho e ser idêntico a Ricardito também não ajuda a definir se na verdade seria outro personagem Marvel e "Nightcaster" teria sido um erro de digitação ou algo do tipo. Existe também a teoria de que Nightcaster seria um novo personagem Marvel, que seria lançado após as revistas da Amalgam, mas acabou descartado.

Magneto and the Magnetic Men - Will Magnus planeja destruir todos os mutantes do mundo usando seus Sentinelas. Entretanto, seu próprio irmão, Erik Magnus, é um mutante, e decide protegê-los. Para tal, ele adota o nome de Magneto (Magneto + Will Magnus), e usa seus poderes magnéticos para dar vida a alguns dos robôs de Will, criando os Magnetic Men ("homens magnéticos", Irmandade de Mutantes + Homens Metálicos): Antimony ("antimônio", Feiticeira Escarlate + Platina), Cobalt ("cobalto", Mestre Mental + Ouro), Bismuth ("bismuto", Groxo + Estanho), Iron ("ferro", Unus + Ferro) e Nickel ("níquel", Mercúrio + Mercúrio; todos os cinco metais que dão nome aos Magnetic Men realmente são magnéticos, embora bismuto e antimônio sejam diamagnéticos, ou seja, são repelidos por um campo magnético ao invés de atraídos). Logo em sua primeira missão, os Magnetic Men já terão uma prova de fogo: derrotar Sinistron (Sr. Sinistro + Nimrod + Psimon), o primeiro de uma nova geração de Supersentinelas, o qual eles encontram pela primeira vez quando ele está tentando matar Kokoro (Psylocke + Katana). Roteiro de Gerard Jones, arte de Jeff Matsuda.

X-Patrol - Para deter o maligno Doctor Doomsday (Dr. Destino + Apocalypse), Niles Cable (Cable + Dr. Niles Caulder) reúne os mutantes Shatterstarfire (Shatterstar + Estelar), Beastling (Fera + Mutano), Ferro-Man (Colossus + Rapaz-Ferro), Dial H.U.S.K. (Escalpo + Robby Reed) e Elastigirl (Dominó + Vespa + Garota Elástica) e forma a equipe X-Patrol (X-Force + Patrulha do Destino). Durante a história, Dial H.U.S.K. se transforma em Wonder Girl (Magnum + Moça Maravilha), Polaris (Polaris + Dr. Polaris) e Mary Marvel Girl (Garota Marvel + Mary Marvel). Roteiro de Karl Kesel e Barbara Kesel, arte do brasileiro Roger Cruz.

Spider-Boy - Resultado de um projeto secreto para recriar a experiência que deu origem ao Super Soldier, Peter Ross ganhou o poder de controlar sua própria gravidade, o que lhe confere agilidade ampliada e superforça, e permite que ele escale ou se fixe a superfícies verticais; armado com uma pistola que dispara teias, ele se torna o Spider-Boy (Homem-Aranha + Superboy), e terá de pôr suas habilidades à prova para deter os vilões Bizarnage (Carnificina + Bizarro) e King Lizard (Lagarto + Tubarão Rei). Essa história é cheia de personagens que não são amálgamas, mas versões alternativas: ela começa no Projeto Cadmius, onde trabalham Otto Octavius, Curt Connors, Hank Pym (Marvel), Ray Palmer e Dabney Donovan (DC); Sam Makoa, Roxy Leech (DC) e Flash Thompson (Marvel) fazem parte da equipe da Unidade de Crimes Especiais de Nova Iorque (uma versão alternativa da UCE de Metrópolis); os empresários de Spider-Boy são Rex Leech (DC) e Betty Brant (Marvel); o tio de Peter é o General Ross (Marvel); e ele trabalha no Clarim Diário, junto com J. Jonah Jameson (Marvel) e Tana Moon (DC). Os personagens coadjuvantes amalgamados são Tom Harper (Thomas Halloway + James Harper), Prof (Sr. Fantástico + Professor Haley), Ace (Mulher Invisível + Ace Morgan), Red (Tocha Humana + Red Ryan) e Rocky (Coisa + Rocky Davis), do Projeto Cadmius; Brooklyn Barnes (Bucky + Dan Turpin), da UCENY; e a namorada de Spider-Boy, Insect Queen (Mary Jane + Lana Lang). Roteiro de Karl Kesel, arte de Mike Wieringo.

Vocês devem ter reparado que nem todos os personagens participam de um único amálgama, com alguns participando de dois (como, por exemplo, a Feiticeira Escarlate, que é parte tanto de White Witch quanto de Antimony). Como nenhum personagem participa de três amálgamas (embora alguns amálgamas sejam formados por três personagens), minha teoria é a de que a quantidade de personagens no Universo Amalgam é igual à soma dos personagens nos Universos Marvel e DC, com cada personagem da Marvel e da DC participando de dois amálgamas, embora nem todos apareçam nas revistas lançadas. Vocês também devem ter reparado a grande quantidade de mutantes amalgamados, em contraposição à pequena quantidade de personagens relacionados aos Vingadores - Thor nem faz parte de nenhum amálgama da primeira leva, e o Hulk é parte de um bem secundário, por exemplo. A razão para isso é que, em 1996, as revistas relacionadas ao universo dos X-Men estavam com uma popularidade absurda, enquanto aquelas relacionadas ao universo dos Vingadores passavam por uma crise de popularidade - que culminou no projeto Heróis Renascem, que tentou reformulá-los para superá-la, sem sucesso.

Todas as revistas da Amalgam são número 1; nenhuma delas, porém (talvez com exceção de X-Patrol), traz uma "história de origem" (embora a maioria reconte as origens dos heróis em flashbacks), com todas partindo do princípio de que já havia um Universo Amalgam estabelecido pelo menos desde a década de 1930, inclusive fazendo referências a "outras revistas" da Amalgam com asteriscos - a minha preferida sendo a Investigator Comics. Também vale citar a grande sacada de que o editor da Amalgam, referenciado em alguns desses asteriscos ou antes do título de algumas das histórias, se chama Stan Schwartz, ou seja, é um amálgama de Stan Lee e Julius Schwartz.

As revistas da Amalgam seriam lançadas no mesmo mês que a teceira edição de DC vs. Marvel; a quarta e última começa ambientada no Universo Amalgam, mas, graças aos esforços de Acesso, que encontra Dark Claw e Super Soldier, e usa a energia que havia imbuído em Batman e Capitão América, ainda presente em seus amálgamas, os dois universos são novamente separados. Isso leva à ira dos Irmãos, que começam uma luta física entre eles, que pode resultar na destruição de ambos os universos. Cabe a Acesso, Batman e Capitão América convencê-los a interromper essa insanidade.

Tanto DC vs. Marvel quanto as revistas da Amalgam teriam excelentes vendas, que levariam, como de costume, a uma continuação. Mas isso já é assunto para a semana que vem!
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Boxe

E hoje finalmente terminarei de falar sobre todos os esportes do programa das Olimpíadas! Bom, pelo menos até estrearem o surfe e o skate. Mas, por enquanto, o único que faltava era o boxe.

O boxe é um dos esportes mais antigos que existem; foram encontrados registros, na forma de pinturas, de que dois oponentes trocarem socos para determinar qual era o superior era um esporte comum na Suméria, Mesopotâmia, Assíria e Babilônia, com as pinturas mais antigas datando de 3.000 anos a.C. Nessas pinturas, era comum os lutadores estarem com as mãos nuas, com os primeiros registros do uso de luvas datando do século XVI a.C., e pertencendo à civilização Minoica, da Ilha de Creta, Grécia. Na Grécia Antiga, aliás, o boxe era um esporte muito popular, fazendo parte, inclusive, das Olimpíadas da Antiguidade; nessa versão grega do boxe, porém, apenas a cabeça do oponente podia ser atingida pelos socos, e a luta durava até que um dos lutadores não pudesse mais continuar e se rendesse. Ao invés de luvas, os gregos usavam faixas de couro que envolviam não só as mãos, mas também os punhos, algumas chegando aos cotovelos, e que tinham como função não proteger as mãos do lutador, e sim causar ainda mais dano ao oponente.

Da Grécia, o boxe chegaria a Roma, onde logo também se tornaria bastante popular; mas, como o gosto dos romanos era mais sangrento, logo as faixas de couro seriam modificadas com fivelas e até mesmo setas, para causar ainda mais dano, e não era incomum que as lutas fossem até a morte. Com a ascensão dos gladiadores, que, ao invés de simplesmente trocarem socos, também usavam armas como espadas e lanças, o boxe cairia em declínio, até desaparecer totalmente durante o século IV d.C.

A partir do século XII, aconteceria o movimento contrário: devido justamente à sua letalidade, os esportes nos quais os lutadores usavam armas começariam a decair em popularidade, e aqueles nos quais os lutadores brigavam com as mãos nuas voltariam a se popularizar, especialmente na Itália e na Rússia. O maior surto de popularidade do boxe, entretanto, ocorreria na Inglaterra, no século XVI, com uma luta chamada prizefighting (algo como "luta por prêmios"). O primeiro registro do nome boxing para esse esporte ocorreria no jornal London Protestant Mercury em 6 de janeiro de 1681; imagina-se que as lutas teriam ganhado esse apelido porque os lutadores ficavam "enjaulados" (box, em inglês, significa "caixa") durante a luta - da mesma forma, o local onde ocorre a luta se chama ringue porque, originalmente, os lutadores deveriam permanecer dentro dos limites de um círculo traçado no chão (sendo ring a palavra em inglês para "anel"). O primeiro campeão de boxe da história seria James Figg, que conquistaria o título nacional da Inglaterra em 1719. Essa primeira versão do boxe, porém, era pouco mais que um Clube da Luta: não havia árbitro, a luta só se encerrava quando um dos lutadores comprovadamente não tinha condições de continuar lutando (sendo considerado "falta de masculinidade" desistir antes disso) e, além de socos em qualquer parte do corpo, também eram permitidas cabeçadas, cotoveladas e até mesmo arremessos - basicamente, só não valia atingir o oponente com as pernas.

A primeira iniciativa de se regular o boxe e fazê-lo mais seguro para os lutadores partiria do campeão Jack Broughton, que, em 1743, redigiria um conjunto de regras conhecidas como "regras de Broughton", segundo as quais eram permitidos apenas socos, apenas acima da linha da cintura, exceto no pescoço e nuca, e exigia uma terceira parte que tivesse conhecimento das regras presente para conferir se a luta estava ocorrendo de acordo com elas (essencialmente, um árbitro). Segundo as regras de Broughton, sempre que um lutador tocasse o chão com qualquer parte do corpo que não fosse a sola dos pés, o "árbitro" deveria começar uma contagem de 30 segundos; caso ele não conseguisse se colocar de pé antes de a contagem terminar, a luta estaria encerrada, com vitória de seu oponente - ainda não havia limite de tempo, mas, pelo menos, a luta não era mais quase até a morte. Essas regras permitiam uma espécie de "trapaça", já que o lutador poderia deliberadamente se ajoelhar para descansar durante alguns segundos, se levantando e continuando a lutar antes que a contagem se encerrasse (já que, pelas regras, ele não podia ser atingido se não estivesse de pé); isso não era bem visto pela maioria dos lutadores, porém, e, para evitar o "descanso", a maioria das lutas usava uma regra não-oficial segundo a qual, caso um lutador se ajoelhasse três vezes, a luta se encerraria sem a contagem na terceira vez.

As regras de Broughton foram oficiais na maioria das lutas inglesas até 1838, quando foram substituídas pelas London Prize Ring Rules, que buscavam unificar as regras em todo o Reino Unido - e, na verdade, mudavam muito pouca coisa em relação às de Broughton. As London Prize Ring Rules sofreriam uma revisão em 1853, e, 1867, seriam substituídas pelas Regras do Marquês de Queensberry, usadas até hoje. Criadas por John Chambers, baseadas nas regras usadas na época, e financiadas por John Douglas, na época o Marquês de Queensberry (por isso o nome), elas seriam um conjunto de 12 regras, que estipulavam, dentre outros detalhes, o tamanho do ringue, a duração da luta, e o tipo de luvas que os lutadores deveriam usar. As Regras do Marquês de Queensberry sofreriam pouquíssimas modificações ao longo dos anos, com as lutas hoje sendo disputadas quase da mesma forma como o eram em 1867.

No final do século XIX, o boxe começaria a se espelhar pela Europa, e chegaria até as Américas, onde se tornaria bastante popular nas colônias inglesas do Caribe. Nos Estados Unidos, entretanto, o boxe foi considerado um esporte violento demais, sendo banido em diversos estados; a maior parte das lutas nos Estados Unidos no final do século XIX e início do século XX ocorria de forma ilegal, e muitas delas envolviam grandes apostas em dinheiro. Como a popularidade do esporte não parava de crescer, um grupo de pessoas, conhecidos como promoters, começaria a lutar pelo fim da ilegalidade, realizando grandes eventos nos estados onde o boxe não era proibido, que sempre culminavam em uma luta entre dois lutadores de grande prestígio, para tentar convencer a sociedade de que o esporte não era violento e não deveria ser proibido. Graças aos esforços desses promoters, especialmente de Tex Rickard e de John L. Sullivan, que também era lutador, a proibição seria revogada em todo o país, e, na década de 1930, o boxe já seria o esporte mais popular dos Estados Unidos, superando até mesmo o beisebol. Essa popularidade se manteria pelo menos até o fim da Segunda Guerra Mundial, decaindo um pouco depois disso; ainda assim, contudo, o boxe estaria dentre os cinco esportes mais populares do país pelo menos até a década de 1980.

No início do século XX, ocorreria uma espécie de divisão, que daria origem a dois tipos diferentes de boxe, o profissional e o amador. O boxe profissional tem sua origem nas lutas realizadas pelos promoters, que envolviam apostas e rendiam gordos prêmios em dinheiro aos participantes, especialmente ao vencedor; já o amador surgiria quando o COI decidisse incluir o boxe no programa das Olimpíadas. Como se sabe, originalmente não era permitida a participação de atletas profissionais nos Jogos Olímpicos, de forma que os lutadores que participavam das lutas com prêmios em dinheiro não poderiam defender seus países em uma Olimpíada; como os boxeadores verdadeiramente amadores não tinham o mesmo vigor e resistência dos profissionais, o COI aproveitaria para fazer algumas modificações nas regras, privilegiando a técnica no lugar da força, o que levaria a menos nocautes e maior busca de pontos pelos lutadores. Hoje, o boxe amador e o profissional são praticamente idênticos, com diferenças apenas em relação à duração da luta, ao uniforme dos lutadores e à forma como os pontos são considerados pelos juízes - a maioria dos lutadores amadores até mesmo recebe ajuda financeira para praticar o esporte, o que faz com que eles não sejam tão amadores assim.

Essa divisão entre profissional e amador também seria responsável por uma característica curiosa do boxe: ele possui não uma, mas cinco federações internacionais, sendo que apenas uma delas regula o boxe amador, e é justamente essa a única reconhecida pelo COI. Diferentemente do que ocorre com outros esportes, as regras adotadas pelas quatro federações que regulam o boxe profissional são as mesmas, com a única diferença sendo os lutadores filiados a cada uma delas; não é incomum, porém, um mesmo lutador ser filiado a todas elas, e, quando ele se torna campeão de mais de uma durante o mesmo período, se diz que ele "unificou os cinturões".

A primeira federação internacional do boxe seria a Associação Mundial de Boxe (WBA, algumas vezes chamada em português de AMB), fundada em 1921, nos Estados Unidos, com o nome de Associação Nacional de Boxe (NBA, ora vejam só), pela união das federações estaduais de 13 estados norte-americanos, para tentar acabar com a influência que Comissão Atlética do Estado de Nova Iorque (NYSAC) exercia sobre o esporte em todo o território nacional; em 1962, reconhecendo a importância do boxe no restante do planeta, a NBA aceitaria vários países latino-americanos dentre seus membros, e mudaria de nome para WBA. Hoje, a WBA conta com 143 membros dos cinco continentes.

Em 1963, um ano depois da internacionalização da WBA, surgiria o Conselho Mundial de Boxe (WBC, ou CMB em português). O WBC seria criado pela união de 11 federações nacionais por iniciativa da Federação do México, que não se filiou à WBA no ano anterior; hoje, o WBC conta com 161 membros dos cinco continentes. Desde 2011, existem negociações para uma unificação da WBA e do WBC, o que faria com que ambos se tornassem uma só federação, mas as negociações esbarram em problemas burocráticos, e parecem ainda não estar perto de um desfecho.

Em 1983, o presidente da federação nacional dos Estados Unidos (USBA), insatisfeito com decisões recentes da WBA, decidiria fundar sua própria federação nacional, inicialmente chamada USBA-I (de "international"), mas no mesmo ano renomeada para Federação Internacional de Boxe (IBF, ou FIB em português), que hoje conta com 118 membros dos cinco continentes. Em 1988 aconteceria algo parecido, quando dirigentes de Porto Rico e República Dominicana, insatisfeitos com a WBA, sairiam e fundariam a Organização Mundial de Boxe (WBO, ou OMB em português), e que hoje conta com 121 membros dos cinco continentes. Todas as quatro federações que regulam o boxe profissional se reconhecem mutuamente, com WBA e WBO, inclusive, dando prêmios especiais aos lutadores que unifiquem os cinturões de todas as quatro. O Brasil é membro de todas as quatro, sendo, inclusive, membro fundador do WBC.

A única federação internacional que regula o boxe amador é a Associação Internacional de Boxe (AIBA, da sigla em francês), fundada em 1920 pela união das federações nacionais de Inglaterra, França, Bélgica, Holanda e Brasil, e que hoje conta com 201 membros dos cinco continentes. A AIBA é a única federação internacional do boxe reconhecida pelo COI (o que significa que apenas lutadores filiados à AIBA podem competir nas Olimpíadas), e a única que organiza torneios amadores e semi-profissionais; desde 2011, a AIBA também organiza torneios profissionais, mas seus campeões não são reconhecidos por WBA, WBC, WBO e IBF.

Seja amador ou profissional, o boxe é disputado em um espaço chamado ringue, um quadrado que deve ter entre 4,9 e 6,1 m de lado. Em cada um dos quatro cantos há um poste de 1,5 m de altura, e pelos quatro postes passam quatro cordas, às alturas de 46 cm, 76 cm, 1,07 m e 1,37 m, que devem ter entre 3 e 5 cm de diâmetro cada. Entre as cordas e o limite do ringue, deve haver um espaço de 61 cm. O ringue é elevado, devendo ficar entre 0,91 e 1,22 m do chão, e é feito de madeira revestida com material acolchoado e coberto com uma lona. Os cantos superior direito e inferior esquerdo são, cada um, relacionado a um dos lutadores; no início da luta e a cada intervalo, os lutadores devem se dirigir cada um a seu canto, onde poderão descansar, se hidratar, receber instruções de seu treinador, e até mesmo receber pequenos atendimentos médicos caso necessário. Os outros dois cantos são considerados neutros.

O objetivo do boxe é atingir o oponente com socos, que devem ser obrigatoriamente desferidos com a parte da frente das mãos fechadas, e só podem atingir a parte frontal do oponente, acima da linha da cintura e exceto no pescoço, sendo válidos, portanto, socos no rosto, peito, barriga e braços do oponente, mas não nas costas, nuca ou qualquer parte abaixo da cintura. Para demarcar a cintura, e não haver dúvidas quanto a se um golpe foi válido ou não, os lutadores usam um calção cujo elástico é bem largo e de cor diferente do restante do uniforme.

No boxe amador, o uniforme consiste de calção, camiseta, sapatilhas especiais, meias, protetor de gengiva e as famosas luvas de boxe; no feminino, as mulheres devem usar um top por baixo da camiseta, e é obrigatório um capacete acolchoado de proteção, que deixa apenas o rosto, o topo da cabeça e as orelhas à mostra. Um dos lutadores sempre usa uniforme azul (incluindo as luvas), enquanto o outro sempre usa uniforme vermelho; em ambos os casos, detalhes do uniforme, como a faixa da cintura, devem sempre ser de cor branca - alguns torneios exigem que as luvas tenham um quadrado branco na área correspondente à frente da mão, para facilitar aos juízes determinar se o soco foi válido. No boxe profissional, os homens lutam apenas de calção, luvas, protetor de gengiva, sapatilhas e meias, sem camisa, com as mulheres podendo usar camiseta ou top; no boxe profissional feminino o capacete não é obrigatório, e, para ambos os gêneros, a escolha da cor do uniforme é livre, com a maioria dos lutadores usando calções estampados como motivos como a bandeira de seu país ou animais mitológicos.

As luvas, talvez o elemento mais característico do boxe, são usadas por três motivos: proteger as mãos do lutador, diminuir o número de cortes no rosto do oponente, e aumentar a potência dos socos, já que a área que entra em contato com o oponente é maior que a área da mão do lutador - muitos alegam, porém, que o uso de luvas aumenta a probabilidade de concussões, já existindo um grupo que defende que o boxe deveria ser disputado sem luvas. As luvas são feitas de material emborrachado sintético combinado a espuma, látex e PVC, que atuam como acolchoamento e amortecedores de impacto; algumas usam, ainda, crina de cavalo, embora esse material seja raro em lutas profissionais. Existem luvas que pesam 226 g (conhecidas como luvas de 8 onças), 284 g (10 onças) e 340 g (12 onças) cada, com o peso da luva sendo determinado pela categoria de peso do lutador. Elas se ajustam no punho dos lutadores através de um cordão no qual deve ser dado um laço, ou com um velcro; em ambos os casos, é necessária a ajuda de um assistente para que o lutador consiga colocar a luva adequadamente. As luvas devem ser calçadas na presença de um delegado da partida, que atesta que elas estão dentro dos parâmetros exigidos pela organização, e que não contam com elementos que possam colocar a saúde do oponente em risco ou se traduzir em vantagem para o lutador (como a famosa ferradura dentro da luva que costuma aparecer em alguns desenhos animados); no boxe profissional, o delegado "lacra" as luvas envolvendo sua empunhadura e o pulso do lutador com uma fita adesiva que depois é assinada por ele, sendo essa fita checada após o final da luta para comprovar se o lacre está intacto. Por baixo das luvas, os lutadores enfaixam as mãos com ataduras para protegê-las; uma faixa de ataduras usada no boxe tem entre 3 e 4,3 m de comprimento e é feita de algodão, sendo usada uma faixa inteira em cada mão.

Uma luta de boxe amador dura três rounds (ou "assaltos") de três minutos cada no masculino, ou quatro rounds de dois minutos cada no feminino, em ambos os casos com intervalo de um minuto entre um round e outro. No boxe profissional, os rounds também duram três minutos e há intervalo de um minuto entre um round e outro, mas a luta pode durar de dois a doze rounds, com o número exato sendo escolhido pelo realizador da luta - e as lutas principais, como a disputa pelo título, durando o máximo de doze rounds. Até 1982, o máximo eram quinze rounds, mas, após o boxeador sul-coreano morrer em decorrência de um hematoma subdural cerebral obtido em uma luta contra o norte-americano Ray Mancini, na qual foi nocauteado no 14o round, o WBC decidiu limitar o número de rounds em suas lutas a doze, sendo seguido por WBA e WBO em 1988 e pela IBF em 1989.

A luta de boxe é oficiada por um árbitro, que acompanha os lutadores de dentro do ringue, com a função de zelar pelo bom andamento da luta, advertindo os lutadores caso eles não estejam seguindo as regras, e interferindo caso necessário. Ao redor do ringue, ficam posicionados de três a cinco juízes, dependendo do torneio, que têm a função de registrar os pontos conseguidos por cada lutador. No boxe amador, todo soco que atinge o oponente em uma área válida com a potência adequada vale um ponto, mas no boxe profissional a pontuação obedece a critérios mais subjetivos, como o impacto do soco, se o momento no qual o oponente foi atingido ele estava com a guarda baixa ou não, dentre outros; por esse motivo, não é incomum lutas profissionais terminarem com acusações de favorecimento dos juízes para um ou outro lutador.

Independentemente dos critérios usados, o resultado é o mesmo: o lutador que terminar a luta com mais pontos será o vencedor. Diferentemente do que ocorre em outras lutas, entretanto, a pontuação dada a cada lutador por cada juiz não é somada; ao invés disso, cada juiz soma seus pontos e determina qual dos dois lutadores venceu a luta em sua opinião, sendo declarado o vencedor aquele que for assim considerado por pelo menos dois dos três juízes. No boxe amador, é comum, a cada round, ser divulgado qual lutador venceu aquele round na opinião de cada juiz. É raríssimo, mas uma luta de boxe pode determinar empatada, já que um ou mais juízes podem considerar que não houve vencedor claro e dar a mesma pontuação para os dois. No boxe amador, caso isso ocorra, é disputado mais um round após um intervalo de dois minutos (o que não ocorre desde 1946); no profissional, a luta termina empatada mesmo, e, caso seja a disputa pelo título, o atual campeão o mantém.

Além de por pontos, um lutador pode ganhar a luta por nocaute, situação que ocorre quando o oponente cai e não tem condições de continuar. Toda vez que um lutador toca o chão com qualquer parte do corpo que não seja os pés em decorrência de um golpe do adversário (ou seja, não vale se ele escorregar e cair sozinho), o árbitro deve iniciar uma contagem de dez segundos; se essa contagem se encerrar sem que o lutador tenha condições de ficar de pé e continuar lutando, o árbitro declara o nocaute, dando a vitória automaticamente para o oponente. Toda vez que um lutador cai em decorrência de um golpe do oponente, o oponente deve parar de lutar imediatamente, se dirigir ao canto neutro mais próximo, e aguardar lá até a decisão do árbitro de encerrar ou reiniciar a luta, não podendo receber instruções, hidratação ou atendimento enquanto isso.

Um lutador também pode ganhar a luta por "nocaute técnico", o que pode ocorrer em três situações. A mais comum é caso o oponente seja derrubado com abertura de contagem três vezes (sendo que não é necessário abrir a contagem na terceira vez). O árbitro também pode determinar o nocaute técnico sem a contagem, em qualquer vez em que o lutador caia, se achar que a saúde do lutador derrubado corre risco caso ele continue lutando. Finalmente, Da mesma forma, a qualquer momento, a equipe de um lutador pode concluir que ele não tem condições de continuar lutando e "jogar a toalha" (literalmente arremessando uma toalha branca dentro do ringue), gesto que dá automaticamente a vitória por nocaute técnico para seu oponente. Alguns torneios também possuem a regra da "contagem em pé": caso o árbitro note que a saúde de um dos lutadores está debilitada, ele pode interromper a luta e contar até oito; caso, no fim da contagem, ele conclua que o lutador não tem condições de prosseguir, a luta é imediatamente encerrada com nocaute técnico para o oponente. Independentemente do motivo pelo qual foi conferido, um nocaute técnico conta como nocaute para a carreira do lutador.

O árbitro também pode interromper a luta caso ache que os lutadores não estão se comportando propriamente; o caso mais comum para isso acontecer é o clinch, movimento com o qual um dos lutadores "abraça" o outro para descansar e ganhar tempo. O árbitro pode ele mesmo separar o clinch (interrompendo a luta), ou dar um comando para que os lutadores se soltem (sem interromper a luta), advertindo o lutador que começou o clinch caso ele não o faça imediatamente. Lutadores também podem ser advertidos por empurrar o oponente, fazê-lo tropeçar, se agachar abaixo da linha da cintura do opoente, ou por atingir o oponente em áreas inválidas; um lutador que seja atingido nas partes íntimas tem direito a até cinco minutos de luta interrompida, sem contagem de tempo e com o oponente permanecendo em um canto neutro, para se recuperar. Um lutador que seja seguidamente advertido pode ser desclassificado a critério do árbitro, com a vitória indo automaticamente para o oponente.

Lutadores de boxe são classificados em categorias de peso, para que as lutas fiquem mais justas. No boxe profissional, a pesagem é feita no dia anterior ao da luta; caso um lutador esteja acima do peso máximo permitido para sua categoria, ele ganha uma nova chance em uma pesagem na manhã do dia da luta; caso novamente ele esteja acima do peso, a luta é remarcada - por outro lado, a luta ocorre normalmente caso um lutador esteja abaixo do peso mínimo de sua categoria, azar o dele. A pesagem, no boxe profissional, costuma ser um grande evento, com a presença de celebridades, os lutadores se provocando, posando para fotos e dando entrevistas. As categorias de peso no boxe profissional têm apelidos como "peso pena", "peso leve" e "peso pesado", e são as mesmas para o masculino e para o feminino: até 46,27 kg, até 47,63 kg, até 48,99 kg, até 50,8 kg, até 52,16 kg, até 53,52 kg, até 55,34 kg, até 57,15 kg, até 58,97 kg, até 61,23 kg, até 63,5 kg, até 66,68 kg, até 69,85 kg, até 72,57 kg, até 76,2 kg, até 79,38 kg, até 90,72 kg e acima de 90,72 kg - os pesos em kg são "quebrados" porque, originalmente, eram em libras (com a categoria de menor peso sendo até 100 lb e a de maior sendo acima de 200 lb). WBA, WBC, WBO e IBF usam todas as mesmas categorias de peso.

Já no boxe amador é feita uma pesagem geral no primeiro dia do torneio, e uma pesagem de todos os lutadores que vão lutar naquele dia a cada dia de competição; um lutador que esteja acima do peso máximo ou abaixo do peso mínimo permitidos para a sua categoria é desclassificado, embora, se isso ocorrer (exceto nas Olimpíadas) em uma das pesagens que acontecer de ele lutar sua primeira luta (na geral ou na do primeiro dia em que ele vai competir), ele possa entrar com recurso para ser "encaixado" na categoria imediatamente superior ou inferior. A pesagem no boxe amador é realizada em particular, sem a presença da imprensa ou de plateia. As categorias de peso da AIBA para o masculino são até 49 kg, até 52 kg, até 56 kg, até 60 kg, até 64 kg, até 69 kg, até 75 kg, até 81 kg, até 91 kg e acima de 91 kg; para o feminino são até 48 kg, até 51 kg, até 54 kg, até 57 kg, até 60 kg, até 64 kg, até 69 kg, até 75 kg, até 81 kg e acima de 81 kg.

Torneios de boxe amador são disputados no sistema de mata-mata, com os lutadores sendo emparelhados dois a dois, os vencedores avançando e os perdedores sendo eliminados; dependendo do número de lutadores em um torneio, os mais bem ranqueados podem começar direto na segunda ou na terceira rodada. Caso o torneio confira medalhas (como as Olimpíadas), não há disputa pelo bronze, com ambos os eliminados nas semifinais ganhando uma Medalha de Bronze cada - o que é feito para não submeter os lutadores em questão ao desgaste de uma luta extra.

O boxe profissional, a rigor, não possui torneios - embora existam alguns poucos, a maioria regionais ou destinados a lutadores iniciantes. Para determinar o campeão mundial de cada categoria, o boxe profissional usa um sistema de desafios: os lutadores vão desafiando uns aos outros, com o oponente podendo aceitar o desafio ou não, e fazendo uma "carreira", até que, quando ele tem vitórias e fama suficientes, pode desafiar o campeão em uma luta pelo título. Na prática, as lutas são organizadas pelos empresários dos dois lutadores em questão, que se reúnem, acertam a luta e comunicam a federação, que por sua vez consegue patrocinadores, um local e então anuncia o evento - por esse motivo, é raro um lutador iniciante conseguir desafiar o campeão. Lutas de grande importância, como as lutas pelo título ou o retorno de um lutador de renome que passou algum tempo afastado dos ringues, costumam ser grandes eventos, rendendo milhões de dólares a todos os envolvidos. Em teoria, um lutador só pode enfrentar outro que seja filiado à mesma federação que ele, mas a maioria acaba se filiando a todas as quatro, o que torna possível a já citada "unificação do cinturão", quando um mesmo lutador se torna o atual campeão mundial de sua categoria pela WBA, WBC, WBO e IBF.

O cinturão, falando nisso, é o equivalente ao troféu no boxe profissional, um cinto de couro enorme (o do WBC é tão grande que traz as bandeiras de todos os seus 161 membros) decorado com prata banhada a ouro, que fica de posse do campeão até ele perder seu título para outro lutador; cinturões são "renovados" de tempos em tempos, com os antigos sendo expostos na sede da federação, vendidos a colecionadores ou ofertados a grandes campeões; também é comum que um campeão receba da federação uma réplica do cinturão após perdê-lo para outro lutador. Eu ainda não falei aqui, mas é óbvio: caso o atual campeão vença a luta pelo título, ele mantém o título e o cinturão até ser desafiado novamente.

Não é comum, mas pode ocorrer de um campeão se aposentar (ou morrer) enquanto ainda estava de posse do título; nesse caso, o título é declarado "vago", e a federação escolherá os dois lutadores de melhor carreira, maior fama, ou ambos, para disputá-lo. Também pode ocorrer de um campeão se contundir e ter de passar um longo tempo sem poder defender seu título; nesse caso, a federação também pode escolher dois lutadores para uma luta pelo "título interino", e, assim que o campeão puder retornar, o campeão e o campeão interino disputarão o título um contra o outro. Vale citar também que alguns lutadores fazem carreiras vitoriosas no boxe amador, chegando até mesmo a disputar medalhas olímpicas, e depois se transferem para o profissional; nesse caso, suas carreiras no boxe amador podem ser consideradas, e eles terão chances de lutar pelo título mais cedo que o normal.

Em teoria, não há um limite de tempo dentro do qual um lutador tem de participar de uma nova luta após sua última; lutadores iniciantes lutam com bastante frequência (já que precisam do dinheiro), enquanto os mais famosos, como os grandes campeões, lutam apenas uma ou duas vezes por ano, o que faz com que suas lutas sejam eventos ainda maiores. Na prática, porém, as federações fazem pressão para que os lutadores mais famosos não fiquem muito tempo fora dos ringues, pois sua presença atrai espectadores e patrocínio, o que reverte em dinheiro e prestígio para a própria federação.

Tirando as Olimpíadas, o principal torneio do boxe amador é o Campeonato Mundial de Boxe, organizado pela AIBA no masculino desde 1974 e no feminino desde 2001 - no início, o torneio masculino era realizado a cada quatro anos, mas, após um intervalo de apenas três anos entre 1986 e 1989, passou a ser disputado a cada dois anos; já o feminino foi disputado em 2001, 2002, 2005 e a cada dois anos desde 2006. Outro torneio de prestígio realizado pela AIBA é a World Series of Boxing, disputada anualmente, apenas no masculino, desde 2010; na WSB os lutadores não competem individualmente, mas em times (podendo haver mais de um time de cada país, embora até agora isso não tenha acontecido), com cada time sendo composto por dez lutadores, um para cada categoria de peso. A cada fase, os dez lutadores de um time enfrentam os dez do outro, e o time que ganhar mais lutas é declarado o vencedor e avança.

O boxe estreou nas Olimpíadas em 1904, em Saint Louis, Estados Unidos. Após aparecer também em 1908, ficou de fora em 1912, em Estocolmo, porque era proibido na Suécia na época. Voltaria em 1920 para não mais sair do programa olímpico. O boxe foi um dos últimos esportes das Olimpíadas a deixar de ser disputado somente no masculino, com o feminino estreando apenas em 2012. Atualmente, todas as 10 categorias de peso do masculino estão presentes nas Olimpíadas, mas são disputadas apenas três categorias no feminino (até 51 kg, até 60 kg e até 75 kg); a AIBA planeja aumentar esse número para cinco em 2020.
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